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As bancas de dezembro (final)

Ao longo destes primeiros dias de dezembro, o Blog destacou os trabalhos de conclusão do curso de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo que me chegaram às mãos neste fim de ano letivo de 2012. Ora como orientador, ora como avaliador, trabalhei em quase duas dezenas de bancas, incluindo as monografias da pós em jornalismo esportivo da FAAP.

Fiz questão de tornar público o resultado desses trabalhos por claros motivos que narro a seguir:

1 – A cada ano, me convenço que os rumos do novo jornalismo (há quem duvide que o jornalismo que hoje se faz seja verdadeiramente novo e, se um dia, terá mesmo algum rumo daqui para frente) passa indelevelmente pelos olhos, mãos, mente e coração desta garotada que faz e desfaz e está na dela, sem medo de ser feliz.

2 – O jornalista, como mediador das demandas sociais, vive agora tempos de maior diversificação e, digamos, interatividade. Não há mais temas mais nobres que outros. Todos compõem o tecido social capaz de revelar a sociedade como ela é, sem rodeios e distinções. Falamos, nesses trabalhos, de política, cultura, empreendedorismo, esportes, comportamento, entre outros. Da história do rádio à reverência mais do que tocante à obra do saudoso fotojornalista João Bittar, tratou-se de tudo um pouco.

Aliás, o que não faltou nessas bancas foram momentos inesquecíveis.

3 – Como jornalista, professor e orientador ressalto que um desses momentos foi a apresentação do livrorreportagem “Sem Aviso – Histórias Interrompidas dos Moradores do Pinheirinho”. As autoras – Amanda Sartori, Beatriz Longuini, Mariana Anauate, Michelle Navarro, Patrícia Faermann e Talita Lima – acompanharam, durante seis meses, o dia-a-dia dos antigos moradores do bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos. Recuperaram histórias do dia da truculenta desocupação da área, promovida pelas autoridades constituídas. Ouviram o desalento dos sonhos desfeitos e a esperança que ainda cultivam de reaver um lugar para morar e ser feliz.

Participei da banca ao lado do professor e jornalista Jorge Tarquini e do renomado jornalista Luiz Nassif. Ficamos bem impressionados com a postura crítica das jovens. Mesmo preservando a isenção que a profissão pressupõe, entenderam que o papel social do jornalista, neste preciso momento, é dar voz e vez àquela gente que, apesar de todos os pesares, o ainda crê em um amanhã socialmente mais justo e promissor.

4 – Nassif, a propósito, fez comentário bastante emblemático durante a apresentação do trabalho: “Antigamente se dizia que não era preciso cursar uma faculdade de jornalismo, pois em seis meses em uma Redação o indivíduo aprendia tudo o que precisava para ser um bom jornalista. Hoje, temo que a relação seja inversa. Seis meses na redação de um grande jornal, pode fazer com que o jornalista formado desaprenda tudo o que aprendeu na faculdade.”

Parabéns às meninas do Pinheirinho e a todos os formandos…

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