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Crepúsculo dos Deuses

Considero ‘Crepúsculo dos Deus’ (Billy Wilder, 1950) o clássico dos clássicos da história do cinema. Não programei, mas acabei por revê-lo ontem ao encontrá-lo, ainda nas primeiras cenas, em exibição no Cult Canal.

Devia ser por volta do meio-dia e qualquer coisa.

Acho essa produção intrigante. Da primeira à ultima cena.

Tem William Holden e Gloria Swanson nos papéis principais e talvez seja a mais cruel narrativa sobre os bastidores de Hollywood nos tempos em que era chamada “a indústria dos sonhos”.

(…)

Assim como ontem, a primeira vez que vi o filme também foi por acaso.

Madrugada de domingo para segunda, cheguei de viagem. Estava cansado e sozinho em casa. Resolvi ligar a TV para me distrair um tantinho e ajudar que o sono chegasse. Dei de cara com o filme desde os letreiros iniciais e a célebre cena do homem morto boiando na piscina da mansão em Sunset Boulevard.

A tal cena aguçou os meus sentidos, as minhas inquietações.

Isso foi há mais de 30 anos e, não preciso dizer, mas digo: perdi o sono de vez.

(…)

Na manhã seguinte, apareci na velha Redação de piso assoalhado, com grossas olheiras e aspecto constrangedoramente amarfanhado. Foi o que bastou para os gaiatos de plantão associarem minha provisória solteirice (a família havia ficado no Interior) com o lamentável estado em que me encontrava.

Tentei explicar. A viagem, o cansaço, não gosto de dirigir à noite, o filme. Sublinhei: ‘a dramaticidade do filme’…

Ninguém deu a mínima.

Minto.

Só o colunista de TV e cinema, Ismael Fernandes, me deu ouvidos e ponderou que a trama do filme é mesmo intrigante e ‘mexe profundamente com a complexidade dos sonhos e desejos da nossa triste condição humana’.

Falou o especialista.

(…)

Da minha parte, reconheci (e reconheço) que, desde logo, o enredo provocou uma empatia (não sei se é a palavra certa), um envolvimento, com as personagens na vã tentativa de livra-las dos “fantasmas” existenciais que os perseguem.

Assisti ao filme outras tantas vezes. Na TV, em cineclubes, em sessões especiais, festivais – até que comprei o DVD para não mais perde-lo de vista.

(…)

Mesmo assim, fazia um tempão que não o via.

Nosso reencontro ontem não foi menos impactante. Perdi a hora do almoço e continuo até agora refletindo o quanto de nós – humildes e pacatos cidadãos – e nossas ambições estão retratados ali, naquelas emblemáticas personas.

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