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Crônicas de Viagens – Veneza

Fotos: Comune di Venezia/Facebook

1 – OS DOZE TÓINS

Estava em VENEZA. Na Praça São Marcos.

Foi quando me ocorreu de subir no alto da torre da igreja, o cartão postal de um belíssimo cenário.

Até aí nada de anormal.

Qualquer turista que chega à praça logo entra na fila para conhecer o histórico monumento por dentro e ter uma visão inesquecível de uma cidade inesquecível.

Eu e minha trupe andávamos por aqueles becos e ruelas, serpenteados pelas águas de canais e mais canais, há dois ou três dias. Fazia um frio considerável, posto que era inverno. O que dava ao lugar alguns pontos positivos, segundo me disse o garçom de um requintado café local.

Primeiro porque há todo aquele charme dos casacos e agasalhos, o estilo europeu que não se encontra por aqui, nem indo a Campos de Jordão em julho.

Segundo, porque os vinhos tintos e os conhaques se tornam mais apropriados  – e aveludados – à degustação. Ninguém fica com ares de breacos a não ser que “exagere exageradamente” na dose. E aí, é prudente um cuidado maior no trança pernas habitual dos bebuns, pois as águas dos ditos canais podem ser um desastroso limite nada recomendável.

Aliás, é exatamente esta a origem do terceiro quesito favorável – e impensável a princípio, sempre que se comenta sobre o fascínio de Veneza.

Disse-me o distinto garçom que os dias frios e de sol raro livram o turista de um insuportável mau cheiro que exala precisamente dos tais canais.

Que horror! Que coisa deselegante, estou a dizer!

Compreenda-se que repito o que ouvi do moço (que agora nem acho mais tão distinto), mas não sei se precisava incluir numa crônica que se anunciava, a princípio, tão poética.

Enfim, voltemos à torre…

Lá em cima, vislumbrei uma paisagem magnífica. Fiquei embevecido e agradeci aos Céus por tamanho privilégio.

Para um garoto do Cambuci, neto de italianos, entenda-se: não foi uma trajetória tão simples estar ali e há aquele coração mole, natural dos oriundi, mesmo que seja de terceira geração como eu.

Os Céus, os Anjos ou Alguém de maior prestígio lá em cima parece ter ouvido os meus ‘ais’ de encantamento. Quis coroar momento tão singular, e único.

Então…

Uma chuva de badaladas rompeu forte naquele preciso instante.

TÓIM… TÓIM… TÓIM…

Ao todo, foram doze “tóins” ensurdecedores.

Estávamos embaixo dos enormes sinos da secular igreja, meus queridos. Era meio-dia — e o sacristão, o sineiro, o pároco da aldeia ou coisa que o valha só cumpriu sua obrigação ao bimbalhar ferozmente o carrilhão.

Momento único, pois sim…

Saí de lá tontinho de tudo – mais do que habitualmente sou –, com um TÓIM intermitente em um dos ouvidos, mas com lágrimas nos olhos.

Acreditem!

Às vezes, e por vezes, sou tão sentimental.

*Publicado originalmente em 30/04/2008

 

 

 

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