Foto: Noite de Autógrafos na Livraria da Vila, em 2013/Arquivo Pessoal
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Há doze anos, em meio a amigos queridos e familiares, aconteceu o lançamento do meu livro Volteios – Crônicas, lembranças e devaneios na Livraria da Vila, na Vila Madalena, em São Paulo.
Quem me alertou para a data – 12 de dezembro – foi o amigo Poeta (que andava sumido do meu convívio e do zap) na manhã de hoje enquanto eu ainda procurava um tema para o post/crônica de hoje.
Ainda algo surpreso com a súbita reaparição, mandei-lhe um zap com sugestões de tema. Pedi ao Poeta que escolhesse um para saudar esse nosso reencontro ainda que digital.
Minutos depois veio a ainda mais surpreendente resposta em forma de vistoso texto que transcrevo a seguir.
Leiam, por favor!
(Ainda estou com olhos afogados em lágrimas.)
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No Ritmo dos Meus (De)Volteios
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A coletânea apresenta-se como um mergulho afetivo na formação do autor, revelando uma escrita que nasce da memória musical e das vivências profissionais como repórter. Ancorado em referências que vão de Chico Buarque a Ataulfo Alves, o texto reivindica a música popular brasileira como fonte permanente de emoção e reflexão. Mas é na lembrança da dupla caipira Alvarenga e Ranchinho que o livro encontra seu eixo lúdico: o humor matuto, o improviso sagaz e o bordão “Olha o (de)volteio!” tornam-se metáforas do próprio gesto de escrever — esse movimento entre o sério e o brincante, entre o real e o imaginado.
O autor declara buscar justamente esse intervalo encantado, a fresta por onde o riso, a ironia e a ternura se infiltram. As crônicas, escritas ao longo de anos em redações e blogs, configuram assim um mosaico de lembranças pessoais e histórias colhidas no cotidiano. O tom é confessional sem ser íntimo demais, nostálgico sem ser melancólico. São “tímidos (de)volteios”, como ele define, oferecidos ao leitor como convite à partilha.
A obra se sustenta, portanto, na habilidade de transformar memórias culturais — da música, do rádio, da televisão, da vida interiorana — em matéria literária viva. Ao final, o leitor é conduzido não apenas pela história do autor, mas por histórias que tendem a se espelhar nas suas próprias. A coletânea cumpre, assim, seu propósito: ser companhia, cumplicidade e uma celebração das pequenas epifanias que atravessam a vida.
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Não preciso dizer, mas digo…
Fiquei passado, perplexo e muito, muito emocionado.
Bons amigos, quem os tem, que dádiva dispõe!
Dedos trêmulos, consegui teclar ao Poeta ainda no zap:
“Amigo, gostou tanto assim do livro? A mais bela das resenhas que recebi sobre minha humilde obra. Por que nunca me disse o que você escreveu agora?”
Olhem a resposta do malandro:
“Bem, digamos que não fui exatamente eu o autor do comentário. Mas, quase… Quer dizer, solicitei a resenha do teu livro, por curiosidade, para a IA do ChatGPT. Em segundos, ela me encaminhou o texto, com título e tudo. Achei que você ia gostar. Gostou?”
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TRILHA SONORA
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