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Encontro com Vandré

O encontro foi marcado para um horário mais tarde que os anteriores.

Estava escuro quando todos se cumprimentaram, com muito mais serenidade e intimidade que das primeiras vezes. (Geraldo) Vandré, no entanto, parecia ansioso com alguma coisa.

Logo o motivo foi descoberto.

Ele queria as cópias de jornais e revistas em que apareceu nas décadas de 60 e 70. Já estava, inclusive, quase perdendo a paciência com as perguntas rotineiras sobre o tempo e supostas inutilidades, quando alguém interrompeu:

— Olha, seu Geraldo, trouxemos para o senhor…

— Obrigado. Está tudo aqui? Eu também trouxe uma coisa para vocês.

A surpresa daqueles que receberam o agrado de Vandré foi ainda maior.

(…)

Era um rolo de papel preso por um elástico.

Ao soltá-lo, os estudantes viram se desenrolar dois cartazes de um show.

— Foram da minha última apresentação no Paraguai. É para o livro de vocês. Agora vamos voltar a conversar só em outubro, está bem?

Em pé na portaria do edifício, ainda tentaram poucas perguntas.

— Mas quando o senhor voltou do exílio…

— Eu ainda estou exilado.

— E quando o senhor vai voltar?

— Não sei. Mas eu ligo para vocês quando isso acontecer.

Uma conversa pouco convencional, uma despedida rápida e a certeza de que Vandré pode até estar exilado, mas ainda está vivo.

* Trecho do livro reportagem “Eu Nunca Fui Assim” – A (des)construção da imagem de Geraldo Vandré. Autores: Ana Luiza Silvestrini da Costa, Fernanda Galmacci Doniani, Paula Cristina e Silva, Rodrigo Sampaio de Sousa e Silvana Figueiras Chaves. Trabalho de conclusão do curso de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, com orientação do professor Oswaldo de Oliveira. Com grande honra, participei da banca, como examinador, ao lado do jornalista José Paulo de Andrade. Parabéns aos jovens jornalistas.

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