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Escova, a reportagem e Cocker

Encontro o amigo Escova, como de costume, em frente à Estação Sacomã do Metrô. Por tantas e tamanhas que ali vivemos, em tempos idos, é natural que seja nosso ponto de referência.

Escova é dos raros habitantes da velha redação de piso assoalhado e grandes janelões para a rua Bom Pastor que sobrevive – é da primeira geração, anos 70, meu contemporâneo de reportagens, trampolinagens e afins.

Destaca-se também por ser um dos meus cinco ou seis fiéis leitores, personagem mais ou menos freqüente nos textos do nosso Blog.

Quase sempre nossos encontros, em um dos botecos do Ponto Fábrica, resultam em assunto para a crônica do dia seguinte, regada à nostalgia e a imensa saudade dos amigos que se foram.

O papo de ontem não poderia ser diferente.

II.

Escova chegou sorridente. Pediu que eu parabenizasse a leva de jovens jornalistas que nos últimos dias ocupou o espaço do Blog com pitadinhas de seus trabalho de conclusão de curso.

Falou sério e fazendo jus ao grande repórter que foi e é (mesmo que não exerça mais as funções):

– Só a reportagem salva o jornalismo do tsunami das redes sociais. E, pelo pouco que li, a meninada caprichou em ser repórter e, mais ainda, em arriscar-se em um projeto autoral.

Fiquei feliz pelos garotos – e fiz questão de lhe dizer que confio muito nesse pessoal.

– Tomara lutem o bom combate. São de boa cepa, disse eu.

E simultaneamente lembramos nosso mestre, o saudoso Nasci, que acreditava piamente na força da juventude.

– O mundo é dessa moçada que ri de qualquer bobagem, dança todas as músicas… e enfrenta todos os desafios com a certeza de que vai construir um mundo melhor.

Assim dizia o grande Nasci – e concluía:

– O resto é farelo. Melhor deixar que o vento carregue.

III.

Divagamos por outros temas do nosso cotidiano – e também das lembranças que nos acompanham, como bons sessentões que somos.

Escova questionou o tamanho da minha barba (Tá fazendo um bico de Papai Noel?) e propôs escrevermos um livro nos moldes que os meninos fizeram com os 10 mais importantes clássicos internacionais (post de ontem).

– Só que o nosso tema seria os 10 maiores clássicos varzeanos de São Paulo. O que acha?

Achei ótimo. Mas o assunto foi interrompido pela notícia da morte de Joe Cooker, o cantor inglês, de voz rouca, que ‘eletrocutou’ o mundo no Festival de Woodstock . De quebra, ensinou toda uma geração a dedilhar insanamente uma guitarra imaginária.

Tínhamos 18, 19 anos à época.

Bebemos a saideira em silêncio.

Pedi a conta – e fomos embora sem lembrar que estávamos a três dias do Natal.

– Outro dos nossos que se foi, disse Escova.

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