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Gil e Caetano em Israel

Vejo no telejornal da TV brevíssimas cenas do show de Gil e Caetano em Israel.

Enfileiram velhos sucessos para uma plateia silenciosa e embevecida. Diz o repórter: “são aproximadamente 10 mil pessoas, brasileiros inclusive”.

Os baianos sempre me emocionam quando cantam aquelas canções do passado. Não me perguntem a este nostálgico escriba o porquê? Ainda mais se assim o fizerem na forma intimista e acústica, como os vejo na telinha, os dois e seus violões e a trilha sonora de um tempo que era de luta, mas também se permitia sonhar.

II.

O show tem um nome sugestivo, “Dois Amigos. Um Século de Música”, por comemorar os 50 anos de carreira de cada um.

Estão em turnê internacional, shows em quase toda a Europa e este, em Israel.

Meu filho me diz que chega em agosto em São Paulo, com direito a espetáculo extra e lotação – acreditem! – esgotada.

Na fase (devagar, quase parando… parei) em que me encontro, é muito provável que só vá vê-los bem depois, quando lançarem o DVD.

Não é a mesma coisa, eu sei.

Mas, como disse, já me serve.

III.

Em Tel Aviv, havia uma expectativa de que os baianos se posicionassem ‘politicamente’ – uma vez que esta apresentação causou grande polêmica e outro tanto de “mimimi”, como dizem meus alunos.

Os baianos apenas cantaram. Na tentativa (que nunca é vã) de que o entendimento entre os povos se estabelecesse um tantinho mais que fosse e a paz, a almejada paz, se espraiasse como um bem maior de todos ali.

IV.

Lá no mais antigo dos anos, em uma entrevista, perguntei a Gil se suas primeiras canções – “Lunik 9”, “Procissão”, “Louvação”, entre outras – poderiam ser consideradas dentro do que se convencionou chamar ‘Música de Protesto’.

Meu baiano favorito balançou a cabeça, num gesto característico de quem está entre o sim e o não. Olhou para algum ponto perdido entre o alto da parede e o teto do saguão do hotel em que atendia os repórteres e deu a resposta que eu nunca esqueci:

– Minha música é libertária. Promove o entendimento entre os homens, a harmonia, entende?

Desconfio que naquele momento não soubesse entender tão plenamente o quanto hoje entendo – e acho vital.

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