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Joyce Moreno

O Brasil é um país de grandes cantoras.

É um ponto positivo o talento de nossas mulheres, inegável.

Por outro lado, essa fartura, muitas e muitas vezes, faz com que percamos de vista intérpretes únicas, raras, como Joyce Moreno, cantora, compositora, instrumentista carioca, que tem um
trabalho interessantíssimo e, hoje, absurdamente desconhecido do grande público.

A amiga Leila que, ao ler o texto que escrevi dia desses sobre Cazuza, me pediu notícias de Joyce.

– Para mim, ela está entre as melhores. Você já a entrevistou?

Entrevistei, sim. Por duas ou três vezes, se bem me lembro.

A primeira foi aí por volta de 1980 quando ela lançou o disco “Feminina” – e estava entusiasmada com o resultado final do trabalho. Na ocasião, me disse, queria se consolidar como compositora e reclamava o direito de escrever os versos que identificasse o sentimento das mulheres. Reclamou que havia um preconceito ‘machistóide’ de que só os marmanjos podiam compor e falar de suas agruras ou venturas no amor. A mulher, se quisesse, que tratasse de adaptar essas letras ao feminino na hora de interpretá-las. Lembrou a pioneira Dolores Duran, exemplo raro de compositora na MPB, e se mostrou empenhada a derrubar “essa bobagem”.

Depois da entrevista, cantarolou uma canção de Chico Buarque (“Se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem, sim…”) e me perguntou em tom de desafio:

– As pessoas acham lindo quando o Chico faz coisas assim, retratando o que sentem as mulheres. Se uma mulher faz algo assim, olham com desconfiança e dizem: “Sei não, essa aí…”

Concordei.

(Quem sou eu para discordar)

II.

Também participei da entrevista coletiva que ela deu por ocasião do sucesso que obteve com a música “Clareana” em um dos festivais, também dos anos 80. Foi talvez a sua canção mais popular. A música é dedicada às duas primeiras filhas, Clara e Ana, tem versos delicados, de tocante lirismo – e um refrão saboroso que o público adorou – e logo elencou como uma das favoritas da competição.

Desta feita, Joyce estava empolgada com a possibilidade de Elis gravar uma de suas canções; a tocante “Essa Mulher”, que desconfio deu nome a um dos elepês de Elis.

(Não lembro se ia gravar ou se já havia gravado)

Foi o assunto daquela animada.

Elis, nossa melhor cantora, sempre foi referência para os novos e promissores talentos – e Joyce sempre esteve entre eles.

III.

De uns tempos para cá, essa carioca de 67 anos preferiu não se enredar com os modismos de plantão. Bossanovista convicta que é, desenvolve sua carreira no plano internacional. Fez diversas temporadas no Japão, na Europa e mesmo nos Estados Unidos (onde a Leila mora). Tem parceiros famosos para esses projetos, como Roberto Menescal, Dori Caymmi, João Donato, por exemplo.

Continua em plena atividade. Pena que nossas rádios e TVs não toquem.

Ao menos hoje, o Youtube pode nos salvar!

Vá até lá, Leila, e procure as músicas do projeto “Slow Music”. Eu gosto muito!

Ah!, outra coisa: atualmente ela assina Joyce Moreno.

É isso!

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