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Namorido (4)

Até que, em determinado momento, Raul pediu a palavra.

Anunciou: gostaria que todos fossem testemunha da grandiosidade do seu amor.

Logo apareceu uma caixa enorme em sua mão.

Era o misterioso presente – e, jurou, a surpresa ele comunicaria depois.

O coração da moça disparou.

Ela anteviu a cena.

O malandrinho colocara uma caixa dentro da outra. Ela abriria uma a uma até chegar ao pequeno invólucro que abrigaria o belo anel de noivado.

Só depois, então, ele faria o pedido formal.

Não era original a brincadeira.

Mas, pensou, tudo vale à pena quando a alma não é pequena.

Há quem diga que Camões proibiria o uso de seus versos – mesmo no vão pensamento da moça – se lhe fosse dado assistir à cena seguinte.

Bastou que ela desfizesse o primeiro pacote – e eis que surgiu uma caixa enorme.

Dentro dela, reluzia a tal panela de fondue.

— O que é isso? – bradou indignada nossa heroína.

E Raulzinho todo-todo.

— É o que você mais queria. Lembra aquela tarde no shopping?

— Não acredito! – bufou a moça.

E Raulzinho, sem noção:

— É verdade. É toda sua, bobinha!

Antes mesmo que ela pudesse explodir toda a sua raiva, Raulzinho, sempre ele, fez o comunicado prometido:

— Agora, gente, a Mô vai estrear o presente e fazer um fondue delicioso. Para todos nós…

E concluiu:

— Fala aí, Mô, pode falar. Eu não sou o melhor namorido do mundo?

* Nota do Blog:
Acredite se quiser. Mesmo após esse dia, Raul se recuperou. No ano seguinte, comemorou o aniversário seguinte da Mô em Paris – e hoje ele e ela vivem felizes. Há quem diga que é para sempre.

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