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Santiago de Compostela

Reza a tradição que, assim que chegar à frente da Catedral de Santiago de Compostela, o peregrino deve procurar a concha incrustada no chão de cimento a uma dezena de metros da escadaria, deitar-se de barriga para cima, deixando o portal da igreja atrás de si e, assim nessa posição, máquina em punho, fazer a foto do famoso templo.

Sai algo como vocês veem acima – ou algo próximo a essa imagem, dependendo se o fiel leva jeito para fotografia ou não.

Esse é um dos tantos rituais que acontecem ali – uma das rotas de peregrinação mais antigas que se tem notícia.

Conta-se que no ano de 815, sob o reinado de Afonso II, o Casto, os campesinos admiraram-se ante ao feixe de luz que cortava os céus um pouco aquém da linha do horizonte, não muito longe dali.

Era tarde/noite de um domingo.

Pelayo, o eremita, espalhou ao gentio que, bem próximo dali, havia ‘um campo de estrelas’ e que a informação chegasse ao conhecimento do bispo Teodomiro, responsável por aquela região da Espanha, então chamada de Iria.

O próprio bispo comandou um grupo de religiosos em excursão ao local.

Em lá chegando, constataram que as luzes emolduravam um sepulcro coberto por pedras de mármore. Um sepulcro que se perdeu no tempo e onde descobriram os restos mortais desaparecidos de São Tiago, o Maior, apóstolo de Cristo.

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Anos depois, Afonso II, o Casto, mandou levantar uma pequena igreja naquelas paragens. Também fez construir o Mosteiro de Antealtares para abrigar os monges beneditinos encarregados de conservar o túmulo e assegurar o culto que se perpetua séculos afora até os nossos dias – e que ganhou notoriedade nunca antes vista após a publicação do livro O Diário de Um Mago, em que o escritor Paulo Coelho narra sua vivência ao longo da jornada.

Antes da obra literária, não chegava a 200 o número de peregrinos que faziam o Caminho anualmente. Hoje milhares e milhares percorrem a rota a cada ano.

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A cada dia 25 de julho (data guardada em louvor ao santo apóstolo) significativa parcela desses fiéis invade piedosamente as ruas estreitas de Santiago.

Ontem o próprio papa Bento XVI fez pronunciamento em que anunciou sua visita ao Santuário em 6 de novembro próximo. Ele deseja se juntar aos peregrinos de todo mundo para as comemorações do Ano Santo Compostelano.

O Ano Santo acontece sempre que o dia 25 de julho cai em um domingo. Trata-se de uma celebração em que os visitantes da Catedral de Santiago recebem a graça do perdão de todos os pecados desde que rezem uma oração e recebam os sacramentos da confissão e comunhão durante qualquer período do ano.

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Visitei Santiago anos atrás. Não como peregrino, mas como pacato turista, ávido por conhecer lugares e pessoas.

Claro que fiz minhas orações, e agradeci a bênção de estar ali.

Também tirei a tal foto que, modestamente, ficou bem legal.

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