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Tenho um roteiro para o Cine Holliúdy

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Vou lhes contar sobre um estranhamento tolo que me acomete há algumas semanas – e só nesta terça fui me dar conta da prosaica causa.

Seguinte.

Meus amáveis cinco ou seis leitores sabem que tenho a tendência de ficar imaginando coisas.

Pois então…

Desde que assisti às primeiras cenas da divertida série Cine Holliúdy (que a Globo exibe nas noites de terça depois da novela das oito que começa pra lá de nove), cismei que conhecia os ares e lugares de Pitomba, a fictícia cidade interiorana onde toda a trama acontece.

As ruas, a pracinha, a igreja, o casario de estilo colonial. Tudo ali me é próximo, familiar.

“Incrível, já andei por aí”, venho dizendo pra mim mesmo.

II.

Toda vez que as cenas invadem a telinha. Quase nem noto os personagens. O prefeito destrambelhado, o cinemista gente boa, o delegado com jeito do Beiçola de A Grande Família, o padre rechonchudo, o cantor Falcão como o narrador das historietas – enfim os figuras vão surgindo e eu cada vez mais invocado.

Sou capaz de jurar:

“A tribo é amalucada, nunca vi antes. Mas, o lugar não me é estranho. Eu conheço essa cidade.”

III.

Ai, de mim, se ousasse comentar essa minha impressão com algum amigo.

No mínimo, iriam me chamar de Bozó, aquele personagem galhofeiro do grande Chico Anísio que se vangloriava de ser “o cara” da Globo.

Outros diriam que endoidei de vez – se é que já não dizem?

Por essa e por outras, decidi ficar na miúda como manda o manual do bom malandro, aquele que “não chia”.

Não chiei. Guardei segredo.

IV.

Até que na terça pela manhã, pude desvendar o mistério.

Curtia minhas horinhas distraídas ao sol esquivo da Serra da Bocaina, quando ouvi, por acaso, o Sr. Rosamundo do Queijo se desculpar com os amigos que não poderia participar do bingo em prol das obras da igrejinha de São José do Barreiro:

– Hoje à noite, não dá, impossível.  É dia da Televisão passar aquela novelinha engraçada que gravou em Areias no ano passado.

Na sua simplicidade cabocla, o Sr. Rosamundo queria ver se, entre os figurantes das cenas, encontrava algum morador da cidade que todos, aqui, da região conhecem.

– Tenho uns compadres que fizeram papel de vampiro, com dentes postiços e tudo mais. Vai ser engraçado ver o Alcebíades e a patroa  com a cara pintada, dentões e capa de morcego.

V.

Areias fica a vinte e poucos quilômetros de Barreiro.

É outra cidade ajeitadinha do chamado Vale Histórico do Paraíba.

Monteiro Lobato foi prefeito por uns tempos – e andando pelas ruas da cidade é possível ver imagens dos personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo, talhadas em madeira, em vários locais – inclusive na entrada da cidade.

É um jeito bonito de preservar a memória do ilustre escritor.

Quem vem de São Paulo passa por Areias para chegar em Barreiro.

VI.

Ufa…

Que alívio!

Está explicada a sensação de estranhamento.

VII.

Por um lado, fiquei feliz,

Até que não estou com os parafusos da cachola tão soltos assim.

Por outro, fiquei tristim.

Assim que vi o episódio desta terça, bateu uma vontade danada de dar um pulinho até Pitomba/Areias pra prosear com o cinemista e a namorada bonita que ele tem.

Papo de autor para autor, sabem como é?

Estou com uma ideia legal para um roteiro cinematográfico. É meio sem noção, vá lá. Mas, pode dar uma boa pantomima: a história de um garotão que foi para  Holliúdy fritar hambúrguer e, anos depois, voltou pra lá como embaixador.

Será que eles topariam filmar?

 

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3 Responses
  • clarice falasca
    18, julho, 2019

    Delicia de série. Deve ser legal essa sensação de já ter estado em “pitomba”. Quanto ao enredo, o cinemista deveria rodar. Ia ser o máximo!!!

  • Leila
    19, julho, 2019

    Hummm esse roteiro do garotão do hambúrguer parece holliudyano, mas tem a ver com a nossa comédia nacional. Parece fantasia mas é pura realidade…

  • VERONICA PATRICIA ARAVENA CORTES
    21, julho, 2019

    Podia ser ficção, né?

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