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Sidão e esses tempos cínicos

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Acho o episódio do constrangimento ao goleiro Sidão bastante representativo desses tempos cínicos que hoje vivemos.

No dito jornalismo (em vias de extinção?).

Na vida.

Simples e muitíssimo complicado.

Vou direto aos finalmentes.

Ninguém está nem aí pra nada que não seja se dar bem, tirar uma onda, aprontar uma zoeira  pra cima do outro, posar de bacana.

Se der clicks, views, audiência, popularidade, lucros e dividendos, então… Que se dane o bom senso, o respeito, a bendita (e quase desaparecida) verdade factual.

Assim é que é.

Na real e, sobretudo, no mundo virtual.

Me perdoem o atropelo da generalização. Mas, é o de sempre – e as exceções só confirmam a regra geral.

A moda é partir para a ofensa, para a humilhação, para o deboche.

Aliás, não é este expediente fascitóide que impera em dias racismo, xenofobia, exclusão social, egoísmo e vilania?

Não foi com o mesmo desprezo pelo próximo que radicalizamos na hora do voto na eleição passada?

Ou será que alguém, em sã consciência e socialmente íntegro, achou que era melhor um opressor a um professor?

Enfim – e tristemente:

É o Brasil mostrando a sua cara.

 Não queria meter minha colher de pau nesse angu encaroçado, mas foram tantas as manifestações no dia de ontem que não me sobrou alternativa.

– Vai falar ou não vai?

Pronto.

Está dito.

De todo mal causado ao atleta – que tem lá seus dramas, dentro e fora de campo – valeu a sensibilização da opinião pública.

Será que ficaremos apenas no barulho?

Valeu também a pausa para a reflexão que o fato provocou em cada um de nós.

Desconfio que todos em algum momento, inclusive os bastiões da Toda Poderosa, fizemos nosso ato de contrição.

Ao menos até a próxima derrapada. Até porque a gente, se não ficar tal e qual o escoteiro, sempre alerta, adora posar de bom moço, modelo de sucesso e crítico contumaz da vida alheia.

Ou não?

Um recado que deixo aos senhores da crônica esportiva (já que o dito episódio se deu nessa seara que anda bem confusa ultimamente; informar ou entreter?):

Quando chamamos alguém de “tosco”, o outro de “bananão”, aquele de “ultrapassado, com prazo de validade vencido”, o avante que perdeu o gol de “pé-de-rato”, Beltrano de “come-e-dorme”, Sicrano de “chinelinho” e Fulano de “jogador meia-boca”, entre outros ponderados adjetivos usados pelos nobres periodistas e afins…

Quando posamos de senhor de todos os saberes nas tais mesas redondas que inundam a TV brasileira, não estaríamos contribuindo vivamente para a triste derrocada do equilíbrio, da análise e do respeito mútuo?

Lugar de torcedor é na arquibancada; não na tribuna de Imprensa – foi o que ouvi do grande Tonico Marques na primeira ocasião em que o veterano editor me credenciou para cobrir uma partida de futebol no Morumbi.

É só um recado…

Tá escrito!

 

Foto: TV Foco

Sidão entrou em campo com o nome da mãe falecida na camisa. Era Dia das Mães e quis fazer uma singela homenagem…

 

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