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Sobre escrever e sonhar

Uma internauta me pergunta sobre
escrever dia sim e outro também.
Aproveito para lhe responder e postar.

Minha cara, nunca estaremos
inteiramente seguros sobre nossos textos
e nossos. Mas, vamos sempre escrevê-los
e sonhá-los. É a parte que nos cabe
neste latifúndio chamado Terra.

Na verdade, é vital para quem se achega.
Não díria um "vício", pois há na palavra
um tom negativo e condenável.
Diria que se torna um hábito.

Momento único do dia.
De entrega e de sonho…

Sonhar também é vital a mim,
a você, a todos nós. Aliás, não
faz muito que descobri a enigmática
transcendência do sonhar.

Diga-se, uma verdade que sempre
esteve em nós. É o que mais fazemos
quando criança e damos trato à nossa
imaginação. Somos guerreiros, heróis,
craques de futebol, piloto de caça etc em
um vida repleta de ventura e aventura.

Basta crescer um pouquinho, enfrentar
as primeiras vicissitudes da vida
para covardemente esquecermos dos
nossos sonhos e, conseqüentemente,
de nós mesmos – não é assim?

Numa fase da minha vida,
reconheço, esqueci completamente
deste elo mágico que nos propõe
desafios e conquistas — e nos livra
da pasmaceira dos dias iguais.

Vivia – e ponto.

Lembro que certa vez respondi
a um amigo que era especialista em
telenovela, o amigo Ismael Fernandes,
que não eu era noveleiro por um motivo
simples. Achava que as pessoas deveriam
viver, elas próprias, uma grande história.
A história de suas vidas…

Havia um tanto de blague na
afirmação. Outro tanto era para
provocar uma discussão besta com
o amigo – mas, faz algum sentido.

Quando passamos a compensar
o encantamento que falta em nossas
vidas com as emoções do próximo
capítulo, repetimos o estigma da Carolina,
aquela da canção do Chico:

"O tempo passou na janela
e só Carolina não viu."

A mecanização do dia-a-dia,
os compromissos, as obrigações.
A lida diária, muitas vezes, entorpece
e nem nos damos conta do tempo
a escapar pelo vão dos dedos…

Me perdoem o lugar comum, mas
adoro essa imagem do tempo que
se esvai, sem que nada possamos
fazer para recuperá-lo…

Lembro também que, em outra ocasião,
li uma entrevista do jornalista e escritor
Carlos Heitor Cony em que ele explicava
porque ficou vinte e tanto anos
longe da literatura – e nem percebeu.

Ele disse que vivera um grande
romance, por isso não teve tempo
para escrever um…

Cousa, lousa e maripo(u)sa.
Andei daqui e dali, só para lhe dizer
que me é fundamental o escrever,
nesta altura da minha vida. Sem hora,
nem patrão. Sem pauta, nem pretensão.

Apenas para ter você e outros cinco
ou seis leitores aí do outro lado e aqui,
neste bate-papo virtual,
que se reveste de amizade.

Parece o reviver daqueles singelos
tempos em que os vizinhos punham
as cadeiras na calçadas e conversavam
sobre tudo e sobre todos até fraquejar
a luz dos lampiões de gás que iluminavam(?)
ruas e becos. Pode parecer saudosismo
— e é! — ou mesmo um jeito provinciano
de ser e estar. Mas era tão bom.
Tão pleno de vida e sonhos.

Sonhos que acreditávamos um dia
se tornariam realidade…

Não sei se você, caro leitor, se deu
conta. Mas, chegamos a dezembro,
tempo de escrever e sonhar
a mais linda das histórias:
o nascimento do Deus Menino.

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