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Tempo, tempo, tempo…

Há tempos pedi um texto para uma querida amiga, que não vejo há um tempão, que nem sei precisar. É a jornalista e professora universitária, Nancy Nuyen. Queria postá-lo nas seção Uns e Outros que fiz questão de ter, aqui no site, só para receber os amigos. Sempre solícita, Nancy não perdeu tempo. Logo me emeiou em resposta e, modesta, perguntou sobre o que escreveria…

— Você é quem sabe. O texto é seu, respondi sem perder tempo.

Porém, o tempo foi passando passando… E nada. Faz um tempinho já que rolou esse conversê via email. Mas, entendo. Nesses tempos de fim-de-ano e fim de semestre letivo acumulam-se um sem número de procedimentos burocráticos e técnicos para fecharmos o ano – e enfim tirarmos o tempo livre das férias. Muito provavelmente, Nancy foi, como eu, atropelada por tantos afazeres e burocracia – e esqueceu de arranjar um tempo para lembrar de mim e do meu pedido.

Mas, como sou teimoso, e quero muito ter um inédito da Nancy por aqui, arranjei um jeito de reiterar o convite. Agora ao vivo e em cores…

II.

É que estava mexendo no meu baú de virtualidades. Encontrei um email que me foi encaminhado pela Nancy, faz um tempinho. Com uma bela ressalva:

— Rodolfo, a mensagem está circulando na internet, desconheço o autor, enfim, mas….. é a minha cara hoje.

Descaradamente, sem perder tempo, achei oportuno postá-la aqui, enquanto aguardo um de autoria – lavrada e sacramentada – da própria Nancy.

III.

Não sei se foi rescaldo do show anual de Roberto Carlos que na noite de sábado assisti encimesmado. Mas, o fato é que, de flash-back em flash-back, me pus a pensar no tempo que o tempo tem. E o tempo que o tempo ainda vai me dar. Para melhor entender as coisas do mundo…

De qualquer forma, tudo que leio sobre o tempo faz com que eu me entenda melhor. Não sei se com você acontece o mesmo. Mesmo assim, resolvi transcrevê-la a seguir…

Boa leitura!

IV.

TEMPO QUE FOGE…

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não vou mais a workshops onde se ensina como converter milhões usando uma fórmula de poucos pontos. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares e regimentos internos. Não gosto de assembléias ordinárias em que as organizações procuram se proteger e perpetuar através de infindáveis detalhes organizacionais.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de "confrontação", onde "tiramos fatos a limpo". Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.

Já não tenho tempo para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. Não quero ficar explicando porque gosto da Nova Versão Internacional das Escrituras, só porque há um grupo que a considera herética. Minha resposta será curta e delicada: – Gosto, e ponto final! Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.

Já não tenho tempo para ficar explicando aos medianos se estou ou não perdendo a fé porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinícius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego.

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a "última hora"; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto delas nunca será perda de tempo.

V.

* EM TEMPO:
Também assinaria em baixo o texto acima. Com algumas ressalvas. A voz seria de Frank Sinatra. E os livros de Machado de Assis, Rubem Braga, Carlos Heitor Cony e Mário Quintana. Incluíria ainda Pablo Neruda e suingue de Jorge Duílio Lima de Menezes, o popular Benjor… De resto, fecho com o autor desconhecido e com a Nancy – ALIÁS, UM RECADO: mande o texto, mulher…

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