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Um brasileiro…

O homem estava lá, solitário. Sobre a pedra, diante do mar da Bahia.

Parecia estar pescando.

Tarde de sábado turbinado em Salvador. Manifestações nas ruas, seleção brasileira em campo para mais uma partida (contra a Itália) da Copa das Confederações.

O repórter da Espn/Brasil, André Plihal, desconfio, havia sido pautado para fazer o ambiente fora do novíssimo estádio da Fonte Luminosa, onde o jogo acontecia.

Resolveu conversar com o senhor, de aspecto rude, humilde.

Foi um dos grandes momentos que vi na TV brasileira recentemente. Especialmente quando a engenhoca se propõe documentar as legítimas manifestações dos brasileiros.

Penso que nem o bom repórter esperava por isso.

Desde a primeira pergunta, o homem pautou-se pela mais pura sinceridade.

Veio pescar só para arranjar um motivo para “não ficar em casa mesmo”. Ali, era bom, mas não estava dando peixe.

Plihal então lhe disse que em casa ele poderia assistir ao jogo do Brasil.

Ele se fez de desentendido a princípio. Depois, esclareceu:

–A seleção brasileira não tem mais influência.

Preferia estar ali, posto em sossego.

E sobre as manifestações?

Outra lição.

Achou ótimo o repórter estar ali, pois ele também poderia falar – e reivindicar – sobre umas demandas que ele tinha na Justiça. Uns trocadinhos referentes a uma aposentadoria que estão para sair – e nunca saem.

Que bom poder tornar público essa sua causa.

E concluiu: ficou feliz pelo repórter estar ali, conversando com ele. Se não fosse assim, ficaria conversando dessas coisas com o mar.

— Mas, sabe como é, né? O mar não responde.

Que o mar de vozes que ecoam nas ruas e praças também – e principalmente – clame pelos brasileiros iguais a ele…

(*Post de número 1988)

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