{"id":10005,"date":"2002-05-01T00:00:00","date_gmt":"2002-05-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-13T19:46:47","modified_gmt":"2017-09-13T19:46:47","slug":"voce-tem-fome-de-que","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/voce-tem-fome-de-que\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea tem FOME de qu\u00ea&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Imp\u00f5e-se \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade, de justas rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres e entre todas as pessoas que buscam alternativas solid\u00e1rias. O resgate da dignidade humana, especialmente dos pobres, n\u00e3o pode limitar-se \u00e0 assist\u00eancia emergencial, mas exige que todos participem na transforma\u00e7\u00e3o da sociedade e da economia, promovendo uma ordem voltada para o bem comum. O Reino \u00e9 vida nova, defesa incondicional da pessoa humana como centro de decis\u00f5es pol\u00edticas alicer\u00e7adas em princ\u00edpios \u00e9ticos; uso s\u00f3brio e respons\u00e1vel dos recursos naturais, com respeito \u00e0 biodiversidade. O Reino fundamenta-se na solidariedade, cuja raiz \u2018\u00e9 a paz, fruta da justi\u00e7a\u2019 (Is 32,17) que congrega irm\u00e3os e irm\u00e3s ao redor da mesa, no banquete da vida e na partilha do mesmo p\u00e3o.<\/p>\n<p>Trecho da homilia Alimento, dom de Deus, Direito de Todos, do presidente da CNBB, dom Jayme Henrique Chemello, na missa do dia 14 de abril, em Aparecida.<\/p>\n<p>I.<\/p>\n<p>O rep\u00f3rter desceu at\u00f4nito do helic\u00f3ptero. N\u00e3o foi o medo de voar que o deixara assim. Afinal, n\u00e3o era t\u00e3o raro acompanhar o rep\u00f3rter-fotogr\u00e1fico pelos ares para fotos a\u00e9reas numa das pautas que desenvolviam, sempre que poss\u00edvel, sobre o meio-ambiente. Gostava do assunto: preserva\u00e7\u00e3o da fauna, da flora, da vida. Gostava mais de fugir da rotina das reda\u00e7\u00f5es e, principalmente, de fugir das tristezas e trag\u00e9dias que, queiram ou n\u00e3o, os jornais obrigatoriamente precisam noticiar cotidianamente. Naquele dia ensolarado, um presente dos c\u00e9us, voaria pelos arredores de S\u00e3o Bernardo para uma reportagem especial sobre a Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>&#8220;Seria mam\u00e3o com a\u00e7\u00facar&#8221;, como gostava de dizer o fot\u00f3grafo que o acompanharia na aventura. Hora e meia depois de sobrev\u00f4o tranq\u00fcilo, o amigo era s\u00f3 entusiasmo com os belos registros a\u00e9reos que conseguira fazer da devasta\u00e7\u00e3o que toda \u00e1rea vem vivendo nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>O rep\u00f3rter voltou para a Reda\u00e7\u00e3o em sil\u00eancio. O rosto crispado, os olhos revelavam preocupa\u00e7\u00e3o &#8211; e medo. Isto mesmo, medo do que acabara de ver.<\/p>\n<p>&#8220;E o que voc\u00ea viu l\u00e1 de cima&#8221;, perguntou o parceiro, \u00e1vido por arranjar um c\u00famplice para sua alegria.<\/p>\n<p>&#8220;O que vi?&#8221; &#8211; respondeu, sem alterar a express\u00e3o de desalento. &#8220;Vi alguns vietn\u00e3s de miser\u00e1veis que cercam nossas cidades, prontos a explodir&#8221;.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve qualquer outro coment\u00e1rio durante todo o restante do trajeto. Tempo em que o rep\u00f3rter p\u00f4de repassar anos remotos, quando costumava a freq\u00fcentar aquele lugar, \u00e0s margens da represa Billings, com o pai e alguns amigos, para andar de barco, pescar, divertir-se com uma bola num canto qualquer que pudesse se transformar num glorioso est\u00e1dio de futebol. Tinha a imagem daquele lugar como a de um para\u00edso \u00e1rvores, riachos, animais, peixes, flores e a imensid\u00e3o da represa &#8211; tudo, ali, convivendo harmoniosamente.<\/p>\n<p>E o que vira agora l\u00e1 de cima? A regi\u00e3o havia se transformado num monstruoso aglomerado de submoradias, onde sequer as \u00e1reas de mananciais foram respeitadas pelo contingente dos desvalidos. Entendeu o porqu\u00ea de tanta viol\u00eancia e a degrada\u00e7\u00e3o do tecido social. Entendeu mais: o amado e pac\u00edfico Pa\u00eds &#8211; a come\u00e7ar pelos grandes centros urbanos, mas n\u00e3o s\u00f3 eles &#8211; estava mesmo a enfrentar uma guerra civil absurda, sem qualquer ideologia, em que o \u2018inimigo\u2019 n\u00e3o tem rosto e pode nos atacar em qualquer esquina. Por um trocado, um celular, um par de t\u00eanis. Pior: somos v\u00edtimas e algozes, ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Lembrou da homilia de Dom Jayme Henrique Chemello e entendeu melhor a ep\u00edgrafe daquele documento: &#8220;Da\u00ed-lhes v\u00f3s mesmos de comer&#8221;. (Mc 6,37)<\/p>\n<p>As palavras de Dom Jaime s\u00e3o mais do que oportunas. Retratam uma situa\u00e7\u00e3o que precisa e pode mudar.<\/p>\n<p>&#8220;Apesar de todo o progresso tecnol\u00f3gico e de toda a moderniza\u00e7\u00e3o da economia, a fome persiste como o indicador mais vis\u00edvel e grave da situa\u00e7\u00e3o desumana que coloca nosso pa\u00eds entre os mais injustos do Planeta. As desigualdades sociais crescem como fruto deste modelo de globaliza\u00e7\u00e3o do mercado, que concentra poder e riqueza enquanto faz diminuir os postos de trabalho nas atividades econ\u00f4micas na cidade e no campo. Degrada a natureza, causa desastres ecol\u00f3gicos e multiplica, a cada dia, o n\u00famero de exclu\u00eddos. Existe, entretanto, alimento suficiente para todos e a fome e a mis\u00e9ria se devem \u00e0 m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o da terra e \u00e0 desigual reparti\u00e7\u00e3o dos bens e da renda. Da\u00ed brota a interpela\u00e7\u00e3o.<br \/>\nComo pode uma popula\u00e7\u00e3o crist\u00e3, em sua maioria, conviver com tal situa\u00e7\u00e3o? A consci\u00eancia crist\u00e3 clama, pois nada pode justificar que tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s pade\u00e7am fome&#8221;.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Entra na Reda\u00e7\u00e3o a repetir mentalmente para si a frase: &#8220;Dai-lhes v\u00f3s mesmos de comer&#8221;. Em frente ao computador, na internet, busca informa\u00e7\u00f5es sobre o tema que agora n\u00e3o lhe sai da cabe\u00e7a. O que \u00e9 a fome? A quantos atingem? Conseq\u00fc\u00eancias? E o Brasil? Para cada quest\u00e3o a resposta ainda mais pertubadora.<\/p>\n<p>&#8212; Fome \u00e9 a escassez de alimentos que, em geral, afeta ampla extens\u00e3o de territ\u00f3rio e um grande n\u00famero de pessoas.<\/p>\n<p>&#8212; O relat\u00f3rio anual sobre a fome no planeta, divulgado pela Organiza\u00e7\u00e3o para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO), entidade ligada \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), cerca de 826 milh\u00f5es de pessoas s\u00e3o v\u00edtimas da fome em seu est\u00e1gio mais avan\u00e7ado (a fome cr\u00f4nica), o que representa quase 1\/6 popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>&#8212; As conseq\u00fc\u00eancias imediatas da fome s\u00e3o a perda de peso nos adultos e o aparecimento de defici\u00eancia no desenvolvimento das crian\u00e7as. A desnutri\u00e7\u00e3o, principalmente devido \u00e0 falta de alimentos energ\u00e9ticos e prote\u00ednas, aumenta nas popula\u00e7\u00f5es afetadas e faz crescer a taxa de mortalidade em parte pela fome e tamb\u00e9m pela perda da capacidade de combater as infec\u00e7\u00f5es. Cerca de 5 a 20 milh\u00f5es de pessoas morrem anualmente por causa da fome e muitas delas s\u00e3o crian\u00e7as. &#8212; As causas da fome cr\u00f4nica s\u00e3o pobreza, distribui\u00e7\u00e3o ineficiente de alimentos, reforma agr\u00e1ria prec\u00e1ria e crescimento desproporcional da popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade de sustenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8212; Os pa\u00edses que mais sofrem com a fome s\u00e3o: Som\u00e1lia em primeiro, Afeganist\u00e3o em segundo e Haiti em terceiro. Na Som\u00e1lia, h\u00e1 um d\u00e9ficit de 490 calorias di\u00e1rias nas pessoas atingidas pela fome. No Afeganist\u00e3o, o \u00edndice \u00e9 de 480 e no Haiti, 460. Para se ter uma id\u00e9ia da gravidade da situa\u00e7\u00e3o nesses pa\u00edses, basta dizer\/escrever que a aus\u00eancia de 100 calorias di\u00e1rias por pessoa \u00e9 considerada fome cr\u00f4nica.<\/p>\n<p>&#8212; No Brasil, com base em n\u00fameros de 1987, sabe-se que 40 por cento da popula\u00e7\u00e3o (50 milh\u00f5es de pessoas) vivem em extrema pobreza. Nos dias atuais, sabe-se mais: 1\/3 da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 mal nutrido, 9 por cento das crian\u00e7as morrem antes de completar um ano de vida e 37 por cento do total s\u00e3o trabalhadores rurais sem terras. H\u00e1 ainda o problema crescente da concentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. E mais grave: a produ\u00e7\u00e3o para o mercado externo cresce enquanto diminui a diversidade de produ\u00e7\u00e3o de alimentos para o mercado interno. Ao lado disso, milh\u00f5es de pessoas vivem em favelas na periferia das grandes cidades. O caso das migra\u00e7\u00f5es internas \u00e9 outro grave problema. Grande parte dos favelados deixou terras de sua propriedade ou locais onde plantava sua produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Nos grandes centros, essas pessoas v\u00e3o exercer fun\u00e7\u00f5es mal pagas, muitas vezes em trabalho n\u00e3o regular. Quase toda a fam\u00edlia trabalha, inclusive as crian\u00e7as, freq\u00fcentemente durante o dia inteiro, e alimenta-se mal, raramente ingerindo o suficiente para repor as energias gastas. Nesse c\u00edrculo vicioso, cada vez mais fam\u00edlias se aglomeram nas cidades passando fome por n\u00e3o conseguir meios para suprir sua subsist\u00eancia.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>E a solu\u00e7\u00e3o? No entender da FAO, a solu\u00e7\u00e3o para o problema estaria na implanta\u00e7\u00e3o de um sistema mais justo e os governos deveriam dar \u00eanfase a projetos sociais que gerassem o bem comum. Deveriam ser investidos recursos na agricultura familiar, desapropria\u00e7\u00e3o de terras improdutivas, onde os assentados passariam a produzir os pr\u00f3prios alimentos e fornece-los \u00e0 cidade.<\/p>\n<p>E mais: investimentos em programas de combate a fome e a mis\u00e9ria bem como o abastecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel e saneamento b\u00e1sico para toda a popula\u00e7\u00e3o. Educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade tamb\u00e9m deveriam ser prioridades dos \u00f3rg\u00e3os competentes. Ainda, segundo a FAO, os pa\u00edses com maior n\u00famero de fam\u00e9licos no mundo s\u00e3o os que apresentam maiores d\u00edvidas externas.<\/p>\n<p>Por isso, a entidade defende o perd\u00e3o da d\u00edvida externa desses pa\u00edses mais pobres. Bastou uma r\u00e1pida passagem pelo Brasil do relator da ONU para Direito \u00e0 Alimenta\u00e7\u00e3o, Jean Ziegler, para a constata\u00e7\u00e3o em n\u00edveis internacionais de que o Pa\u00eds n\u00e3o cumpre o direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. Ziegler chefiou uma comiss\u00e3o da entidade que avaliou a fome por essas plagas tropicais.<\/p>\n<p>Segundo os \u00edndices oficiais, o n\u00famero de fam\u00e9licos era de 23 milh\u00f5es. Mas, representantes da Oposi\u00e7\u00e3o, como o senador Eduardo Suplicy, lhe garantiram que nada menos que 44 milh\u00f5es de brasileiros sofrem com a fome permanentemente.<br \/>\nO problema da terra \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o grave ao direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. O latif\u00fandio mata gente. As pessoas no Brasil morrem v\u00edtimas da ordem social, disse o relator. Ele apontou ainda outros dois fatores, al\u00e9m do latif\u00fandio, como causadores do problema: a baixa renda da popula\u00e7\u00e3o e a falta de uma pol\u00edtica completa e integrada na \u00e1rea social.<\/p>\n<p>O rep\u00f3rter pegou a caneta e fez algumas anota\u00e7\u00f5es no bloco de notas.<br \/>\n&#8220;Sistema capitalista mais globaliza\u00e7\u00e3o. Novas tecnologias substituem a m\u00e3o de obra humana. Resultado 1: o aumento do desemprego. Resultado 2: o aumento da mis\u00e9ria e da viol\u00eancia. Resultado mais assustador: a fome end\u00eamica&#8221;.<\/p>\n<p>Mal fechou aspas, foi informar ao editor que havia mudado a tem\u00e1tica da reportagem especial. O editor sugeriu o t\u00edtulo:<br \/>\nVoc\u00ea tem FOME de qu\u00ea&#8230; (grafado assim mesmo para dar destaque ao assunto). Ele j\u00e1 sabia at\u00e9 por onde come\u00e7ar (pela homilia de Dom Jaime) e terminar: pelo depoimento de um psic\u00f3logo amigo&#8230;<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>&#8220;Entre a simplicidade e a genialidade de um Betinho, o mundo vive contrastes poderosos&#8221;.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o \u00e9 do psic\u00f3logo, professor universit\u00e1rio e diretor do Consult\u00f3rio de Psicologia e Resignifica\u00e7\u00e3o Humana, Alexandre Rivero. De um lado, ele detecta uma popula\u00e7\u00e3o de famintos sem poder consumir alimentos, marginalizada dos produtos da sociedade contempor\u00e2nea \u00e0 base dos fast-food. De outro, em n\u00famero cada vez mais reduzido, uma popula\u00e7\u00e3o consome avidamente os pasteurizados, os disque-pizzas, as calorias excessivas, os diets e os lights.<\/p>\n<p>&#8220;Vivemos uma verdadeira miscel\u00e2nea&#8221;, diz o psic\u00f3logo. &#8220;Quem pode deve consumir a cor mais bonita, o odor mais atraente, a promessa de gratifica\u00e7\u00e3o afetiva, de realiza\u00e7\u00e3o profissional no merchandising e a senha \u00e9 a degusta\u00e7\u00e3o. Tudo pelo prazer sensorial, impulsivo e consumista&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo Rivero, a contradi\u00e7\u00e3o se expressa na busca ansiosa pelo comer e pelo controle da alimenta\u00e7\u00e3o. Aqui, h\u00e1 o choque entre um mundo fragmentado por zonas de mis\u00e9ria e riqueza, obesidade e fome, o corpo esbelto e o desejo de comer, comer, comer. Neste cen\u00e1rio, diz psic\u00f3logo, se situam os transtornos alimentares como aneroxia, bulimia e o comer compulsivo. A pr\u00e1tica excessiva de exerc\u00edcios f\u00edsicos, v\u00f4mitos provocados e a utiliza\u00e7\u00e3o de laxantes e diur\u00e9ticos vem aumentando a incid\u00eancia entre adolescentes e adultos numa busca pelo corpo ideal. E conclui:<\/p>\n<p>&#8220;O mundo tem se alimentado mal entre os extremos da fome e da obesidade. \u00c9 mesmo um dos pontos mais complexos do Planeta e se espalha por uma \u00e1rea multidisciplinar. Atrai interesses do campo da nutri\u00e7\u00e3o, do marketing, da economia, da pol\u00edtica, da psicologia&#8230; Superar a fome e a obesidade talvez seja o grande desafio para uma vida saud\u00e1vel em todos os sentidos e com todos os proveitos sociais&#8221;.<\/p>\n<p>Mat\u00e9ria publicada no jornal cat\u00f3lico &#8220;O Carpinteiro&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imp\u00f5e-se \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade, de justas rela\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres e entre todas as pessoas que buscam alternativas solid\u00e1rias. O resgate da dignidade humana, especialmente dos pobres,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-10005","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagens"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10005","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10005"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10005\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13869,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10005\/revisions\/13869"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10005"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10005"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10005"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}