{"id":10254,"date":"2002-04-19T00:00:00","date_gmt":"2002-04-19T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T17:37:15","modified_gmt":"2017-09-14T17:37:15","slug":"toques-e-retoques-musicais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/toques-e-retoques-musicais\/","title":{"rendered":"Toques e retoques musicais"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Aquela estrela \u00e9 dela, vida-vento leva-me daqui&quot; (Fagner e Belchior)<\/p>\n<p>01. Come\u00e7o hoje com um dos versos da can\u00e7\u00e3o Mucuripe desses dois not\u00e1veis compositores cearenses &#8212; j\u00e1 entrados nos 50 e muitos e um tanto afastado da m\u00eddia &#8212; para ver se a coluna vai at\u00e9 o final de uma forma mais light. Penso em voc\u00ea, caro leitor, que semanalmente nos acompanha e n\u00e3o quero aborrec\u00ea-lo logo nessa hora do dia. Ao longo desses 20 e poucos anos de exist\u00eancia, nosso encontro semanal trata das coisas da vida que, invariavelmente, nos enchem de alegria ou tristeza. Seria oportuno dizer &#8212; se \u00e9 que j\u00e1 n\u00e3o disse em edi\u00e7\u00f5es anteriores &#8212; que o refr\u00e3o de um velho samba (Coisas do Mundo, Minha Nega) de Paulinho da Viola foi o mote inspirador da coluna l\u00e1 pelas quebradas de 79, quando Caro leitor virou uma se\u00e7\u00e3o fixa em Gazeta do Ipiranga. Quer\u00edamos falar de coisas s\u00e9rias, mas n\u00e3o de uma forma sisuda. Como ensinou o poeta: as coisas est\u00e3o no mundo, s\u00f3 que eu preciso aprender.<\/p>\n<p>02. \u00c9 o que tentamos fazer desde ent\u00e3o. Mas, hoje, tenho dois motivos especiais para cantar\/escrever. O primeiro: de alguma forma, quero repartir com voc\u00ea a satisfa\u00e7\u00e3o do pessoal de GI \u00e0s v\u00e9speras da edi\u00e7\u00e3o especial que circula na pr\u00f3xima semana e que vai reverenciar os 44 anos do jornal. O segundo (e o que n\u00e3o gostaria de esgani\u00e7ar, mas \u00e9 dever de of\u00edcio faz\u00ea-lo) \u00e9 que vi na TV a express\u00e3o de fastio do ministro Malan, alertando \u00e0 Imprensa (e por conseguinte, \u00e0 toda Na\u00e7\u00e3o): o Governo n\u00e3o abre m\u00e3o da dinheirama da CPMF. Se n\u00e3o houver rapidinho, rapidinho a aprova\u00e7\u00e3o do imposto pelo Congresso (por querelas pol\u00edtico-eleitorais), o governo vai fazer a catan\u00e7a por outros meios. O aumento do IOF j\u00e1 foi anunciado, mas os homens de preto de Malan amea\u00e7am invadir outras searas igualmente f\u00e9rteis e arrchar ainda mais a Economia. Inventar impostos \u00e9 tudo o que fazem&#8230;<\/p>\n<p>03. Pois \u00e9. Mais um ano se passou &#8212; frase da can\u00e7\u00e3o de Cassiano, A Lua e Eu &#8212; e n\u00f3s, aqui em GI, de olho no mundo, querendo aprender, para mudar (sempre que necess\u00e1rio) e se fazer melhor. Olho na comunidade que nos acolhe e empresta t\u00e3o honroso nome. Mas, o foco maior \u00e9 voltado para o que entendemos chamar de<br \/>\nbem comum, a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o e a ajuda para que o Pa\u00eds retome a linha do desenvolvimento e possa fazer valer o conceito de justi\u00e7a social a todos os brasileiros. Era assim em 26 de abril de 1958, continuamos assim hoje&#8230;<\/p>\n<p>04. S\u00f3 que, do outro lado, vemos uma realidade desafinada e governantes insens\u00edveis \u00e0 voz rouca que vem das ruas. Eles tratam com muita arrog\u00e2ncia das coisas que est\u00e3o no mundo. Ou seja, n\u00e3o aprendem e, pior, n\u00e3o querem aprender. Vejo, com arrepios e achatamentos d\u2019alma, governantes ou assessores do governo (seja ele, municipal, estadual ou federal) falar de feitos e realiza\u00e7\u00f5es com absoluta convic\u00e7\u00e3o de est\u00e3o consertando o mundo. Mas, n\u00e3o \u00e9 preciso sequer completar uma volta no quarteir\u00e3o para constatar que a mis\u00e9ria est\u00e1 em todas as partes e \u00e9 cada vez maior. Nessa triste toada, os acordes da viol\u00eancia urbana s\u00e3o ainda mais lancinantes e soam alto, aterradores antes mesmo que viremos a pr\u00f3xima esquina.<\/p>\n<p>05. Assusta-nos tamb\u00e9m o espectro da Argentina que revela a decad\u00eancia de toda uma Na\u00e7\u00e3o e, mais grave, a falta de perspectiva de um povo que j\u00e1 foi altaneiro. \u00c9 aterrador, da mesma forma, o modo subserviente como a m\u00eddia brasileira tratou (e trata, salvo rar\u00edssimas excess\u00f5es) o caso Hugo Chaves, presidente empossado da Venezuela. Em ambos os casos, h\u00e1 temores de que possa acontecer o mesmo por essa plagas benditas, e maladiministradas. Surge a possibilidade de que as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es possam a\u00e7odar \u00e2nimos e sensos &#8212; e a lisura do pr\u00f3xima pleito fique prejudicada. A quest\u00e3o econ\u00f4mica &#8212; especialmente a pol\u00edtica cambial &#8212; e os meios de comunica\u00e7\u00e3o ter\u00e3o papel fundamental na escolha do pr\u00f3ximo presidente. E o cen\u00e1rio da disputa, pelo que j\u00e1 se p\u00f4de observar, ser\u00e1 de desfa\u00e7atez, amea\u00e7a e manipula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o &#8212; ali\u00e1s, j\u00e1 tivemos uma pequena mostra no epis\u00f3dio da ex-futura candidata Roseana Sarney.<\/p>\n<p>06. O eleitor deve ficar atento, mas n\u00e3o est\u00e1 livre de incorrer em outro eventual erro crasso. Pois, \u00e0 medida que o tempo passa, vem a\u00ed o Vale Tudo eleitoral pela manuten\u00e7\u00e3o e conquista do Poder. Ah! \u00e9 bom lembrar que, apesar deste ser um Caro Leitor cantante, n\u00e3o me refiro aquela sacudida soul-music do venerando Tim Maia, onde ele diz que s\u00f3 n\u00e3o pode dan\u00e7ar homem com homem, nem mulher com mulher. O pior \u00e9 que o resto vale&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Aquela estrela \u00e9 dela, vida-vento leva-me daqui&quot; (Fagner e Belchior)<\/p>\n<p>01. 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