{"id":10683,"date":"2007-07-22T00:00:00","date_gmt":"2007-07-22T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:56:41","modified_gmt":"2017-09-15T19:56:41","slug":"nao-sei-se-sei-parte-3","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/nao-sei-se-sei-parte-3\/","title":{"rendered":"N\u00e3o sei se sei (Parte 3)"},"content":{"rendered":"<p>VI.<\/p>\n<p>Amiga, <\/p>\n<p>Citei essas produ\u00e7\u00f5es para melhor ilustrar nossa conversa. H\u00e1 a\u00ed tr\u00eas baitas li\u00e7\u00f5es de vida que, muitas vezes, preferimos n\u00e3o ver.<\/p>\n<p>Em O Marido da Cabeleireira, a pr\u00f3pria resolve por um fim \u00e0quele envolvimento por um motivo simples. Aquele foi um instante \u00fanico e pleno. M\u00e1gico entre col\u00f4nias e lavandas. N\u00e3o se repetiria. N\u00e3o mais com aquela intensidade e luz. <\/p>\n<p>\u00c9 at\u00e9 dif\u00edcil escrever \u2013 e entender. N\u00e3o h\u00e1 encantamento amoroso que resista aos altos e baixos do dia-a-dia. \u00c9 inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>O olhar triste da mo\u00e7a vinha da\u00ed. N\u00e3o gostaria de ver, outra vez e gradativamente, o amor se desvanecer.<\/p>\n<p>Nada, nada. \u00c9 a mesma tem\u00e1tica de O Perfume de Lucyenne. O imprevis\u00edvel pr\u00edncipe transformou-se num tedioso sap\u00e3o. Tem cabimento? Ela a enfrentar o pr\u00f3prio sonho em Hollywood e o lindo, entregador de pizza. Cad\u00ea o tom de sedu\u00e7\u00e3o que sempre procuramos no ser amado? E depois se ela pr\u00f3pria fosse uma canastrona. O que fariam? Levariam uma vida entre a farinha, a mussarela e o forno \u00e0 lenha. <\/p>\n<p>N\u00e3o pensou duas vezes. Deu \u00e1rea&#8230;<\/p>\n<p>Puerto Escondido, por sua vez, mostra que sempre e sempre, sejam quais forem as circunst\u00e2ncias, o homem tem essa capacidade de reinventar a vida \u2013 e isso me parece muito bom. N\u00e3o existe uma \u00fanica forma de ser feliz. <\/p>\n<p>Felizmente , eu diria&#8230;<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>Isto posto, tentarei responder a pergunta que, l\u00e1 no come\u00e7o, encerra a parte um.<\/p>\n<p>Assim:<\/p>\n<p>O encontro virtual di\u00e1rio, parece-me, nada mais \u00e9 do que um Puerto Escondido e bem mais seguro. Os dois tiveram \u2013 ou foram for\u00e7ados a ter &#8212; uma praticidade de fazer inveja a Lucyenne. E, por fim, n\u00e3o correm quaisquer riscos de quebrarem o encanto e a cara. T\u00eam sempre \u00e0 m\u00e3o um \u2018amor eterno\u2019 que foi sem nunca ter sido. Basta dar um clique e \u2018viajar\u2019 telinha adentro.<\/p>\n<p>Como dizia um nobre deputado, est\u00e1 bom para os dois. Ent\u00e3o, divirtam-se.<\/p>\n<p>VIII.<\/p>\n<p>De resto, cara amiga, s\u00f3 quero dar mais um pitaco. N\u00f3s, pobres e limitados human\u00f3ides, vivemos uma grande \u2013 vast\u00edssima \u2013 contradi\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, queremos viver um grande amor, com riscos e sobressaltos inerentes ao tamanho da encrenca. Mas, n\u00e3o abrimos a guarda para algo que pode nos tirar da ador\u00e1vel rotina de uma vida comum. Dessas bem pacatas mesmo, como nos cobram os amigos e as conven\u00e7\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p>Enfim, \u00e9 isso&#8230;<\/p>\n<p>IX.<\/p>\n<p>* Nota do Autor<\/p>\n<p>Aviso importante.<br \/>\nPare por aqui se n\u00e3o quiser saber o fim dos tr\u00eas filmes.<\/p>\n<p>01. O Marido da Cabeleireira \u2013 A mulher come\u00e7a a cortar o cabelo do marido por falta de clientes que ousassem enfrentar a manh\u00e3 de chuva torrencial. Os perfumes e as car\u00edcias logo se transformam num ato de amor intenso, envolto a lavandas e perfumes. Um ritual m\u00e1gico. De repente, a mulher sai em plena chuva e se atira na correnteza para perplexidade dos espectadores. Ela preferiu dar fim a vida a enfrentar novamente o fim gradativo de um grande amor.<\/p>\n<p>02. O Perfume de Lucyenne \u2013 A bela Lucyenne achou por bem aceitar o ass\u00e9dio de um milion\u00e1rio gosmento que a perseguiu durante todo o filme. Fugiu com ele naquela mesma manh\u00e3 e deixou o bonit\u00e3o sem nada entender. Acabou o encanto \u2013 e o dinheiro.<\/p>\n<p>03. Puerto Escondido \u2013 Aos poucos, o italiano vai se adaptando \u00e0 vida naquela praia lind\u00edssima. Passa a valorizar as coisas simples da vida \u2013 a liberdade de ser o que se \u00e9, as amizades sem interesse, o por do sol. Quando, por fim, se desfaz o engano, ele prefere continuar por l\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>Eu avisei. S\u00f3 chegou at\u00e9 aqui quem quis. De qualquer forma, vale a pena assistir aos tr\u00eas filmes e viver um grande e definitivo amor. No m\u00ednimo, no m\u00ednimo, queremos algu\u00e9m que escute e acredite em nossas prosas. E que esteja ao nosso lado, mesmo a milhares de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. N\u00e3o \u00e9 assim?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VI.<\/p>\n<p>Amiga, <\/p>\n<p>Citei essas produ\u00e7\u00f5es para melhor ilustrar nossa conversa. 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