{"id":20144,"date":"2019-03-13T04:51:37","date_gmt":"2019-03-13T04:51:37","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=20144"},"modified":"2019-03-13T05:05:00","modified_gmt":"2019-03-13T05:05:00","slug":"as-desventuras-do-poeta-no-zapzap","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/as-desventuras-do-poeta-no-zapzap\/","title":{"rendered":"As desventuras do Poeta no zapzap"},"content":{"rendered":"<p><em>Conforme o prometido no post de domingo, em tr\u00eas microcontos, vamos \u00e0s incr\u00edveis desventuras do amigo Poeta, o solit\u00e1rio, no imprevis\u00edvel mundo do WhatsApp.<\/em><\/p>\n<p><em>Aviso logo que \u00e9 uma vers\u00e3o, digamos, mais romanceada.<\/em><\/p>\n<p>I.<\/p>\n<p><em>Aninha, a novinha, zapeou assim que chegou de viagem:<\/em><\/p>\n<p><strong>Voltei.<\/strong><\/p>\n<p><em>O Poeta, euf\u00f3rico \u2013 h\u00e1 semanas esperava um ol\u00e1 da mo\u00e7a -, foi r\u00e1pido no gatilho. Quer dizer, teclado:<\/em><\/p>\n<p><strong>Que bom!!!<\/strong><\/p>\n<p><em>E seguiu:<\/em><\/p>\n<p><strong>Enfim&#8230; Quando podemos nos ver?<\/strong><\/p>\n<p><em>Triste, triste, ele me contou:<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cA conversa foi no ano passado, antes do Natal.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>At\u00e9 hoje, ainda esperan\u00e7oso, o mo\u00e7o aguarda a resposta. <\/em><\/p>\n<p><em>Que n\u00e3o vem, que n\u00e3o vem, que n\u00e3o vem, vem, vem&#8230;<\/em><\/p>\n<p><strong>II.<\/strong><\/p>\n<p><em>Dogival, o amigo dos tempos da reparti\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u2013 por um bom per\u00edodo o Poeta trabalhou na Sabesp \u2013 tamb\u00e9m deu \u00e0s caras no zap:<\/em><\/p>\n<p><strong>E a\u00ed, tudo vem?<\/strong><\/p>\n<p><strong>A sa\u00fade? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Como v\u00e3o as coisas? E a fam\u00edlia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>J\u00e1 casou ou continua avulso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>E o nosso time, hein? N\u00e3o ganha uma&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><em>Diante da surpresa do brother que reapareceu \u2013 e super interessado no seu cotidiano -, o Poeta abriu um largo sorriso. <\/em><\/p>\n<p><em>Pacientemente, escolhendo as palavras (afinal, todos o conhecem como o Poeta), tratou de responder a cada uma das perguntas.<\/em><\/p>\n<p><em>Fez mais \u2013 e melhor.<\/em><\/p>\n<p><em>Se disse emocionado pelo interesse do amigo que n\u00e3o via h\u00e1 longos anos \u2013 e n\u00e3o teve d\u00favida em convid\u00e1-lo para um almo\u00e7o, dia desses, em nome dos velhos tempos.<\/em><\/p>\n<p><strong>Pode escolher o restaurante. A conta \u00e9 por minha conta.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Boa!!!<\/strong> \u2013 <em>confirmou Dogival.<\/em><\/p>\n<p><em>Entabularam uma troca de mensagem por alguns minutos. At\u00e9 que Dogival alegou que o papo estava bom, mas precisava atender um cliente.<\/em><\/p>\n<p><em>E concluiu:<\/em><\/p>\n<p><strong>Amanh\u00e3, eu te ligo pra confirmar hora e local. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Falou?<\/strong><\/p>\n<p><strong>A dolorosa \u00e9 sua, n\u00e3o esquece.<\/strong><\/p>\n<p><em>O Poeta n\u00e3o esqueceu.<\/em><\/p>\n<p><em>Quem esqueceu foi o Dogival.<\/em><\/p>\n<p><em>Cad\u00ea ele, meu?<\/em><\/p>\n<p><strong>III.<\/strong><\/p>\n<p><em>N\u00e3o sabe como Laila o encontrou.<\/em><\/p>\n<p><em>Laila, a princesa moura, a paix\u00e3o da sua vida, o caso mais complicado, a que se foi e deixou saudades.<\/em><\/p>\n<p><em>Apareceu no e-mail e, depois, migrou (migraram) para o zap.<\/em><\/p>\n<p><em>Tantas lembran\u00e7as, tantas coisas em comum.<\/em><\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><em>Ela foi sincerona. <\/em><\/p>\n<p><em>Morava em outro pa\u00eds. Tinha marido, filhos e uma vida, digamos, estabilizada. Mas, precisava confessar: ela nunca o esqueceu.<\/em><\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea foi \u00fanico!<\/strong> \u2013 <em>teclou.<\/em><\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><em>O Poeta estava posto em sossego. <\/em><\/p>\n<p><em>Mas, sabem como \u00e9?, o mist\u00e9rio est\u00e1 nessa bendita fidelidade que os homens t\u00eam aos amores imposs\u00edveis.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o preciso dizer, mas digo: <\/em><\/p>\n<p><em>Ele mordeu a isca. Derreteu-se todo. Respondeu no mesmo tom. Se bem o conhe\u00e7o \u2013 e o conhe\u00e7o razoavelmente bem \u2013 exagerou, foi al\u00e9m da conta.<\/em><\/p>\n<p><em>Acreditou naquele verso:<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cQualquer maneira de amor vale a pena.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Entabularam um ritual de conversas. Era zap pra c\u00e1, zap pra l\u00e1, o dia todo. Confid\u00eancias, declara\u00e7\u00f5es, fotos bem comportadas (que s\u00e3o pessoas tementes ao Senhor e aos bons modos), trivialidades do dia a dia de cada um.<\/em><\/p>\n<p><strong>&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><em>Ah, os poetas, o que n\u00e3o fazem pelas tais musas inspiradoras!<\/em><\/p>\n<p><em>Meu preclaro amigo, no entusiasmo, jurou amor eterno. Prometeu que faria uma loucura. Na primeira oportunidade, daria um jeito de cortar o oceano para v\u00ea-la fosse onde fosse. <\/em><\/p>\n<p><em>Ele s\u00f3 queria v\u00ea-la, estar com ela, mesmo que por instantes.<\/em><\/p>\n<p><em>S\u00f3 isso j\u00e1 lhe bastava.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>&#8230;<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Laila ficou tocada, perdeu o prumo, mas n\u00e3o o rumo.<\/em><\/p>\n<p><em>Respondeu que o encontro de ambos, naquele remoto passado, fora mesmo coisa do Sr. Destino. Que o que sentiam\/sentem, mesmo distantes, era coisa de outras vidas.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o sei se a novelinha das seis da Poderosa tamb\u00e9m passa no pa\u00eds que a mo\u00e7a mora \u2013 o Poeta n\u00e3o me disse. <\/em><\/p>\n<p><em>Disse apenas que, talvez por isso ou porque o Poeta de tanto poetar virara um chato, a Dona Laila deu um bloque geral no meu camarada \u2013 e, assim como surgiu, desapareceu&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4-pk_kMLJgk\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>*<strong>Importante<\/strong>: o Poeta autorizou a publica\u00e7\u00e3o dessas historietas desde que preservada a identidade das personagens que aqui aparecem como nomes fict\u00edcios. <\/em><\/p>\n<p><em>S\u00f3 o Poeta \u00e9 mesmo o Poeta.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Conforme o prometido no post de domingo, em tr\u00eas microcontos, vamos \u00e0s incr\u00edveis desventuras do amigo Poeta, o solit\u00e1rio, no imprevis\u00edvel mundo do WhatsApp.<\/em><\/p>\n<p><em>Aviso logo que \u00e9 uma vers\u00e3o,<\/em><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20145,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-20144","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20144","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20144"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20144\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20148,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20144\/revisions\/20148"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20145"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20144"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20144"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20144"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}