{"id":24511,"date":"2020-10-30T06:15:57","date_gmt":"2020-10-30T06:15:57","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=24511"},"modified":"2020-10-30T13:23:11","modified_gmt":"2020-10-30T13:23:11","slug":"ridiculos-tiranos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/ridiculos-tiranos\/","title":{"rendered":"Rid\u00edculos tiranos"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Quinta, 29 de outubro.<\/p>\n<p>Escrevo neste fim de tarde o texto que amanh\u00e3 publico no Blog &#8211; e s\u00f3 agora me dou conta que hoje \u00e9 o<em> Dia do Livro<\/em>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do proverbial atraso que vem caracterizando minhas postagens (pois, ainda imagino que escrevo para o jornal de amanh\u00e3), fico a matutar o que poderia lhes dizer sobre o tema que, a mim, \u00e9 arte (o livro dos outros) e humilde of\u00edcio.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Por for\u00e7a e circunst\u00e2ncias, vejo-me compelido a escrever sobre o a obra que acabo de ler.<\/p>\n<p><em>O Senhor Embaixador<\/em>, de \u00c9rico Ver\u00edssimo.<\/p>\n<p>Diria que foi uma releitura in\u00e9dita.<\/p>\n<p>Como assim? &#8211; perguntaria o amigo leitor.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel isso?<\/p>\n<p>Pois, acredite, meu caro: \u00e9!<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Terminei ainda h\u00e1 pouco de ler o\u00a0romance do ga\u00facho de Cruz Alta, \u00c9rico Ver\u00edssimo (1905\/1975), &#8211; e me senti assim como se nunca houvesse sequer passado uma vista d&#8217;olhos em suas alentadas 480 p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>Lembrava vagamente o entrecho: o cotidiano do embaixador de um pa\u00eds imagin\u00e1rio, uma ilhota \u00e0 beira do mar do Caribe, que assume, com pompas e circunst\u00e2ncias, a embaixada americana em Washington.<\/p>\n<p>Minha mem\u00f3ria a\u00ed deu um breque.<\/p>\n<p>O que veio a seguir na trama, amigos, foi novidade, e uma amarga surpresa.<\/p>\n<p>Menos pelo transcorrer da narrativa, de estilo direto, objetivo e fluente. Mais, muito mais, pelos fatos que o autor retrata naquela long\u00ednqua d\u00e9cada &#8211; e que, acreditem senhores e senhoras (pois n\u00e3o quero lhes toldar ainda mais o fim de semana; para isso basta essa chuva primaveril),\u00a0 continuam inequivocamente presentes na vida da nossa vulner\u00e1vel Latino Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o me recordo exatamente em que ano fiz a primeira visita a essas p\u00e1ginas. Certamente, fim da d\u00e9cada de 60. \u00c0 \u00e9poca, fazia o g\u00eanero hiponga desconectado do que cham\u00e1vamos de Sistema. Ainda n\u00e3o havia entrado na Universidade &#8211; e, talvez por isso, as discuss\u00f5es simult\u00e2neas que o livro prop\u00f5e passaram sem o meu devido entendimento. Talvez melhor fosse dizer: sem o meu devido processamento e an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Sim, o romance de Ver\u00edssimo, como diria aquele ilustre boleiro, estava (e continua) em outro patamar.<\/p>\n<p>Vale a reflex\u00e3o!<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o me compraz dizer\u00a0 que as tramas de\u00a0<em>O Senhor Embaixador<\/em>\u00a0mostram-se ainda hoje um desafio aos povos\u00a0latinos-americanos. Retratam basicamente as inst\u00e1veis rela\u00e7\u00f5es dos governos ditatoriais (militares ou n\u00e3o?) dos pa\u00edses das Am\u00e9rica (e insensibilidade das oligarquias que ap\u00f3iam) e o contraponto feito pelos movimentos tidos e havidos como libertadores.<\/p>\n<p>O sensato &#8211; e louv\u00e1vel &#8211; \u00e9 que, acima de todos os questionamentos, o autor nos traz a relev\u00e2ncia de se valorizar o ser humano, promover a verdadeira inclus\u00e3o social, defender a luta por princ\u00edpios cidad\u00e3os e abominar a viol\u00eancia disseminada entre irm\u00e3os e, por que n\u00e3o?, iguais.<\/p>\n<p>No bojo dessas discuss\u00f5es, tamb\u00e9m aparecem ali o debate sobre a postura do intelectual, a manipula\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o e o descalabro daqueles que se autoproclamam os salvadores-da-p\u00e1tria.<\/p>\n<p>Qualquer coincid\u00eancia \u00e9 mera&#8230;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Valeu a releitura!<\/p>\n<p>Mas, confesso, se a tivesse feito anos atr\u00e1s, ali por volta dos anos 90 ou na primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo, eu definiria esse contexto descolado da realidade que at\u00e9 ent\u00e3o viv\u00edamos.<\/p>\n<p>Daria gra\u00e7as ao Senhor por termos superado essa triste rotina de golpes e retrocesso social e human\u00edstico.<\/p>\n<p>Hoje, infelizmente, constato que continuamos \u00e0 merc\u00ea de rid\u00edculos tiranos.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, me bateu a sensa\u00e7\u00e3o de que Caetano Veloso pode ter se inspirado nesse livro ao compor a contundente <em>Podre Poderes.<\/em><\/p>\n<p>Lembram-se daquele roquezinho que fala dos tais rid\u00edculos tiranos?<\/p>\n<p>Pois, ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 s\u00f3 uma sensa\u00e7\u00e3o, mas tudo a ver.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube-nocookie.com\/embed\/Lya0quLpZ4w\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Arquivo Pessoal<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Quinta, 29 de outubro.<\/p>\n<p>Escrevo neste fim de tarde o texto que amanh\u00e3 publico no Blog &#8211; e s\u00f3 agora me dou conta que hoje \u00e9 o<em> Dia do Livro<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23142,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[450,1218,808,1697,1698,596,1699],"class_list":["post-24511","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-caetano-veloso","tag-erico-verissimo","tag-literatura","tag-o-senhor-embaixador","tag-podres-poderes","tag-romance","tag-tiranos"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24511","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24511"}],"version-history":[{"count":8,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24511\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24519,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24511\/revisions\/24519"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23142"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24511"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24511"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24511"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}