{"id":24564,"date":"2020-11-10T06:15:18","date_gmt":"2020-11-10T06:15:18","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=24564"},"modified":"2020-11-10T18:08:22","modified_gmt":"2020-11-10T18:08:22","slug":"vanusa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/vanusa\/","title":{"rendered":"Vanusa"},"content":{"rendered":"<p><em>Foto: uai.com.br<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Eram assim aqueles dias em que a jovem Vanusa deu os primeiros passos como promissora cantora de m\u00fasica popular.<\/p>\n<p>O r\u00e1dio resistia ao ass\u00e9dio da TV e continuava a ser nosso principal ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Falava com voz empostada\u00a0 &#8211; e consagrava as can\u00e7\u00f5es &#8211; nos quatro cantos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Reconhe\u00e7a-se, por\u00e9m, era flagrante que a parceria com a TV mostrava-se cada vez mais decisiva e interessante para m\u00fasicos, compositores e int\u00e9rpretes.<\/p>\n<p>Viv\u00edamos a chamada Era dos Festivais.<\/p>\n<p>Segunda metade dos efervescentes anos 60.<\/p>\n<p>A d\u00e9cada em que, apesar de todos os pesares, era poss\u00edvel cantar e sonhar.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>O Canal 7 &#8211; TV Record era l\u00edder absoluto de audi\u00eancia.<\/p>\n<p>Possu\u00eda amplo cast de artistas exclusivos, os principais nomes do nosso cancioneiro, e uma grade de programa\u00e7\u00e3o recheada de atra\u00e7\u00f5es musicais. Para todos os gostos e estilos. A saber: O Fino da Bossa, Jovem Guarda, Bossaudade, Show em Symonal, Corte Rayol Show, Astros dos Discos, O Pequeno Mundo de Ronnie Von, Show do Dia 7, al\u00e9m, \u00f3bvio, dos buli\u00e7osos festivais da can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por ser jovem, loira, usar minissaia e cantar ing\u00eanuas baladas rom\u00e2nticas, Vanusa foi logo identificada como parte da trupe da Jovem Guarda que, como todos sabem, tinha Roberto Carlos como rei, Erasmo como fiel escudeiro e Wanderl\u00e9a como princesa.<\/p>\n<p>Explique-se que at\u00e9 ent\u00e3o essas classifica\u00e7\u00f5es por g\u00eaneros musicais existiam e eram radicais. Uma turma n\u00e3o frequentava a outra. MPB era MPB. Velhinhos de um lado. Roqueiros de outro. Houve at\u00e9 passeata da turma do viol\u00e3o contra a invas\u00e3o da guitarra el\u00e9trica no Brasil.<\/p>\n<p>Juro que \u00e9 verdade!<\/p>\n<p>Foi o Tropicalismo que, felizmente, derrubou o muro.<\/p>\n<p>&#8220;Caminhando contra o vento\/sem len\u00e7o\/sem documento\/eu vou&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>A bem da verdade, Vanusa nunca foi exatamente uma t\u00edpica<em> jovem-guardiana<\/em> como eram, por exemplo, Waldirene (a garota papo-firme que o Roberto falou) e Martinha (o Queijinho de Minas).<\/p>\n<p>Talvez por isso a cantora logo foi marcar presen\u00e7a no programa rival (O Bom\/Canal 9 &#8211; TV Excelsior) comandado por Eduardo Ara\u00fajo que tinha como partners Silvinha e o imprevis\u00edvel Tim Maia.<\/p>\n<p>Voltou a Record para breves apari\u00e7\u00f5es em O Pequeno Mundo de Ronnie Von.<\/p>\n<p>Mas surpreendeu a todos quando apareceu como int\u00e9rprete no Festival da Can\u00e7\u00e3o de 1969 na Globo.<\/p>\n<p>Defendeu a extrovertida &#8220;Comunica\u00e7\u00e3o&#8221;, composi\u00e7\u00e3o de H\u00e9lio Matheus e Edson Alencar.<\/p>\n<p>Foi muito aplaudida &#8211; e acrescentou ao sucesso, que j\u00e1 fazia, o prest\u00edgio junto \u00e0 cr\u00edtica especializada. Que \u00e0quela \u00e9poca, acreditem, era cr\u00edtica e especializada.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>A mineirinha Vanusa (que nasceu em Cruzeiro, interior de S\u00e3o Paulo, e foi criada em Uberaba e Frutal no Tri\u00e2ngulo Mineiro) sempre procurou ter uma carreira independente distante de r\u00f3tulos e classifica\u00e7\u00f5es. Tanto como cantora, como compositora e atriz. Sim porque um dos momentos de maior popularidade foi o trabalho que desenvolveu em Os Ador\u00e1veis Trapalh\u00f5es na TV Excelsior em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Isso mesmo, amigos, \u00e9 o que imaginam.<\/p>\n<p>Digamos que foi o embri\u00e3o dos afamados e globais Trapalh\u00f5es. S\u00f3 que, naqueles idos, Vanusa contracenava com o humorista Renato Arag\u00e3o, os cantores Ivon Cury e Wanderley Cardoso, al\u00e9m do atleta de Vale-Tudo, Ted Boy Marino. Ded\u00e9 Santana e o Sargento Pincel atuaram em um ou outro epis\u00f3dio.<\/p>\n<p>Um sucesso estrondoso.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Vanusa tamb\u00e9m foi not\u00edcia por romances que, digamos, davam o que falar.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca do programa, namorou Wanderley Cardoso.<\/p>\n<p>Mas, consta que o grande amor da sua vida foi outro cantor, Ant\u00f4nio Marcos.<\/p>\n<p>Viveram uma rela\u00e7\u00e3o apaixonada repleta de idas e vindas.<\/p>\n<p>Aqueles amores que, diz a lenda, nunca terminam.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>A cantora tamb\u00e9m foi casada com Augusto C\u00e9sar Vanucci, ent\u00e3o diretor do Fant\u00e1stico, da TV Globo.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, \u00e9 dela a grava\u00e7\u00e3o original para o tema de abertura do programa que, com o passar dos anos, ganhou diversas leituras, quase todas instrumentais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5RC-TQ4tAxw\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>As lentes dos anos 70 e 80 j\u00e1 captaram uma Vanusa amadurecida como int\u00e9rprete. N\u00e3o escolhia estilo ou g\u00eanero. Cantava o que bem lhe agradasse.<\/p>\n<p>Fez grava\u00e7\u00f5es definitivas para &#8220;Manh\u00e3s de Setembro&#8221;, &#8220;Sonhos de Um Palha\u00e7o&#8221; e, a minha preferida, &#8220;Paralelas&#8221; de Belchior, entre outras.<\/p>\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n<p>Vanusa, todos sabem, morreu domingo aos 73 anos, em Santos.<\/p>\n<p>Seu \u00faltimo trabalho foi o CD &#8220;Vanusa Santos Flores&#8221;, com dire\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel de Zeca Baleiro, gravado em 2015.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Permitam-me encerrar com uma pensata.<\/p>\n<p>Com o transcorrer dos anos, n\u00f3s, os mais vividos, costumamos dar mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0s nuances do que ao todo propriamente dito. A partir da\u00ed, fazemos uma resignifica\u00e7\u00e3o mais equilibrada para momentos em que, atropelados pelos compromissos de ent\u00e3o, passamos batidos por fen\u00f4menos, fatos e pessoas.<\/p>\n<p>Penso que, nessa releitura, a obra de Vanusa, que anda um tanto esquecida mesmo entre cultores e pesquisadores da MPB, merecesse o tal olhar mais alongado.<\/p>\n<p>Vai nos surpreender. Pela sinceridade e despojamento.<\/p>\n<p>N\u00e3o lhe faltou coragem para enfrentar o desafio de cantar o que julgou ser a pr\u00f3pria verdade.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mmd6i7KPa7w\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: uai.com.br<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Eram assim aqueles dias em que a jovem Vanusa deu os primeiros passos como promissora cantora de m\u00fasica popular.<\/p>\n<p>O r\u00e1dio resistia ao ass\u00e9dio da TV e continuava a ser nosso principal ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":24565,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1722,1724,97,997,1723,1721],"class_list":["post-24564","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-cantora","tag-fantastico","tag-mpb","tag-obituario","tag-os-adoraveis-trapalhoes","tag-vanusa"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24564","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24564"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24564\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24570,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24564\/revisions\/24570"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24565"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24564"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24564"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24564"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}