Foto: Roberto Filho/Divulgação
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Lembro-me de uma declaração do ator Juca de Oliveira (que morreu neste sábado, dia 21, aos 91 anos). Uma declaração me fez pensar na magia do momento e da revelação.
Era mais ou menos isso o que disse o admirável ator e dramaturgo.
Deu o contexto:
Quando ainda muito jovem, estudava Direito na faculdade do Largo São Francisco, tinha um bom emprego em um banco em São Paulo e amava o teatro. Era um rapazote dividido como, desconfio, todos éramos nas quebradas dos 20 anos naqueles idos e havidos tempos.
No momento em que se viu no palco – em plena ‘ribalta’ como se dizia então – descobriu que nada fazia sentido se não estivesse ali, em cena.
Concluiu:
“Foi genial”, concluiu.
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Sou de uma geração depois da dele – dizia-se, antes do descalabro do mundo liquefeito e sob domínio do imediatismo, que as gerações se contavam com hiatos entre 15 e 20 anos…
Pois então, como lhes falava, sou de uma geração diferente, mas somos – eu diria – bem parecidos em muitos pontos em relação a princípios e valores pelos quais entendemos a vida e a sociedade.
Não há nenhum exageros em lhes confessar que atores como Juca de Oliveira, Raul Cortez, Walmor Chagas, Luiz Gustavo, o grandíssimo Lima Duarte, Renato Borghi, entre outros eram referências para nós. Devo incluir aqui dramaturgos como Plínio Marcos, Guarnieri, Flávio Rangel, Abujamra – enfim, todos desse naipe que impregnaram de luz e resistência ao teatro brasileiro, como expressão luminar da nossa gente e dos nossos anseios sociais.
Assim sempre os entendemos, e os seguimos (dentro, óbvio, dos nossos humildes limites).
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Volto para o começo do texto e a revelação de Juca de Oliveira que, desde então, dedicou-se integralmente ao teatro como ator, diretor e autor. De amplo e merecido sucesso.
“Foi genial.”
Uma iluminação, creio, que se fez, também e a seu tempo, em cada um dos ilustres supracitados.
Vale lembrar que havia algo de Cavaleiro da Triste Figura viver a aventura do teatro e da cultura em tempos tão insólitos. E improváveis.
Mesmo assim – e corajosamente – Juca e os seus seguiram a estrela e combateram o bom combate.
Privilégio único poder vê-los em cena.
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Um brevíssimo adendo, se me permitem.
Antes que me perguntem, aviso: não, meus caros, nunca me imaginei num palco. Há que se ter o dom e a fibra. Meu lugar sempre foi na plateia. Mesmo assim, confesso, inspirei-me nessa turma – mais especialmente em Walmor Chagas – para criar o personagem Carlos Artúlio no romance O que o Tempo leva… (2021).
Não sei se lhes fiz justiça. Mas, foi minha forma de agradecer por tudo que me ofereceram em termos de arte e jornada.
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