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Mino Carta, o genovês que revitalizou o jornalismo brasileiro

Foto: Mino Carta/Revista CartaCapital

“Fundador e diretor de redação de CartaCapital, o jornalista Mino Carta morreu nesta terça-feira (2), aos 91 anos. Há um ano, Mino lutava contra os problemas de saúde, em idas-e-vindas do hospital. Na última passagem, estava havia duas semanas na UTI do Sírio-Libanês, em São Paulo.”

Leia a íntegra da reportagem em CartaCapital.

Considero Mino Carta o mais importante jornalista brasileiro da segunda metade do século 20.

Não reconheço outro do mesmo quilate desde então.

Referência maior, na Imprensa nativa, desde os meus tempos de estudante na graduação da USP.

Dou-lhes um breve resumo da trajetória do insigne jornalista.

O genovês Demetrio Carta começou sua carreira, por acaso, como correspondente de um jornal italiano, na Copa de 1950, realizada aqui no Brasil.

Ele próprio explicou a mim e ao amigo e jornalista Clóvis Naconecy em entrevista que nos concedeu nos idos de 1978 por ocasião da nova empreitada de Mino: a criação e o lançamento da revista Isto É:

“Meu pai (Giannino Carta) era jornalista, e eu comecei logo a ouvir a conversa em torno de jornalismo. Naturalmente porque os jornalistas costumam muito conversar sobre a atividade, talvez mais do que outros profissionais. Eu comecei desde menino a ouvir falar de jornalismo, fato este aliás que me levou inicialmente a pensar que eu jamais seria jornalista, eu não queria ser jornalista. De mais a mais, impressionado pelas brigas que caracterizavam a vida familiar, nas quais a minha mãe recriminava o meu pai pelos horários malucos que tinha, voltas para casa de madrugada, etc, etc, etc. E eu no fundo, no fundo, teria desejado uma vida mais mansa do que a do meu pai, de tal sorte que o meu começo é realmente de pensamentos voltados para outra atividade que não o jornalismo (as artes plásticas). Depois, por volta de 1950, quando eu tinha 15 anos, aconteceu no Brasil o campeonato mundial de futebol, e eu tive a chance de entrar numa equipe que ia cobrir este campeonato. Entrei nela fascinado pela perspectiva de ganhar algum dinheiro. Ai, logo surgiram possibilidades de colaboração em alguns jornais e revistas, sempre em função da perspectiva de ganhar algum dinheiro, sendo que eu, afoito e infeliz, evidentemente pretendia casar-me cedo (ideias malucas típicas da juventude de vinte ou trinta anos atrás) aí eu comecei a topar essas colaborações e coisa e tal. Aos poucos, eu fui deslizando para a profissão. Lá pelos 18, 19 anos já estava trabalhando com jornalismo.”

Desde então – e depois de um brevíssimo período na Itália – comandou algumas das redações que transformaram a história do jornalismo brasileiro: a pioneira Quatro Rodas, Suplemento de Esportes de O Estado de S. Paulo (embrião para o então revolucionário Jornal da Tarde, que também teve Mino como editor-chefe), a fase mais combativa de Veja (que corajosamente enfrentou os ditames ditatoriais), IstoÉ (que fundou e dirigiu em duas ocasições), Jornal da República (ao lado de outro igualmente grande,
Cláudio Abramo), Senhor, Isto É/Senhor e a independente CartaCapital.

De IstoÉ em diante, Mino precisou criar os próprios veículos para continuar a saga de um jornalista de indelével conduta junto aos leitores e comprometido com os pilares da profissão: o respeito à verdade factual e o caráter crítico e fiscalizador da função.

Não que outros jornalistas não trilhassem – e trilhem – o bom caminho. Combatem o bom combate em nome da democracia e da construção de um Brasil de todos os brasileiros.

Felizmente, os há.

São espécies raras e, eu diria, tristemente em extinção. Mas, existem – e aí estão a nos informar e formar.

Porém, no meu entender, nenhum deles o fez de forma tão marcante, tão peremptória a dignificar a história da imprensa brasileira e a nossa própria história como nação livre, soberana, socialmente justa e solidária.

Em memória a Mino Carta, sejamos todos nós, jornalistas e cidadãos, merecedores de tão corajosa jornada que nos representou por mais de 70 anos!

Sobre Mino Carta, leiam ainda neste Blog:

A Despedida, em fevereiro de 2009

Mino Carta e O Brasil, agosto de 2013

A lembrar Herzog, Marcão e vãs utopias, fevereiro de 2025

Você já leu este homem, janeiro de 1978

Você já leu este homem – Parte 2, fevereiro de 1978

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