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Na Lanchonete do Seu Oswaldo…

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Foto: o mais famoso hambúrguer do Ipiranga/Arquivo Pessoal

Permitam-me uma questão de cunho, digamos, existencial:

Os amigos e amáveis leitores já experimentaram um hambúrguer com inequívoco gosto de saudade?

Falarei sobre o tema.

Vinte e tantos anos depois ou mais, topei o convite da família para almoçar na Lanchonete do Seu Oswaldo, conhecido pelo saboroso hambúrguer, com molho especialíssimo que o saudoso Oswaldinho inventou e faz enorme sucesso desde a década de 60, quando a casa foi inaugurada na rua Bom Pastor, no bairro do Ipiranga em São Paulo.

Sabiam que a Lachonhete do Seu Oswaldo foi uma das pioneiras da metrópole?

Sou testemunha ocular dessa história,

Foi um tanto ampliada, com a abertura de uma outra ala, mas diria que permanece quase a mesma desde aqueles idos tempos quando, ainda deslumbrado pela novidade e contando meus parcos trocados, entrei pela primeira vez no lugar.

Desde de então, já se formavam longas filas de espera.

Na tarde de sábado, esperamos pouco mais de 30 minutos para nos chamarem à mesa.

Tempo que inevitavelmente usei para me perder numa espiral de recordações.

Lembrei e senti falta da antiga decoração da casa, com os grandes posters de artistas que ornamentaram por anos as paredes da lanchonete. Eram de Ursula Andrews (na cena em que a loira sai do mar, num dos filmes do 007), Raquel Welch (ou seria de Jane Fonda, numa cena do filme Barbarella? Ô memória!) e do ator Terence Stamp, como personagem do intrigante filme Teorema, de Pier Paolo Pasolini, que tanta polêmica gerou à época.

Eu devia ter uns 16 anos quando lá estive pela primeira vez e provei o tal hambúrguer – novidade em terras nativas.

Era o próprio seo Osvaldo quem atendia no balcão – e assim foi até meses antes do seu falecimento, em 2008.

Dizia-se que o molho do seu lanche tinha um tempero único, e o segredo da receita ele não revelava.

Havia a lenda de que ele próprio cuidava da feitura do moho.

Enfim…

Lembranças, lembranças, lembranças.

Não preciso dizer, mas digo. Voltei inúmeras vezes à lanchonete.

Diria mesmo que, com o passar do tempo, fiquei amigo do Seu Oswaldo.

Gostava de ouvir as histórias que ele contava sobre o Ipiranga de antigamente e, principalmente, sobre o tempo em que foi jogador do Juventus da Mooca.

Era bom de bola o moço.

Sentia-se orgulhoso quando alguém da sua geração confirmava, sem qualquer hesitação.

— Oswaldinho foi um ponta-esquerda driblador, habilidoso.

Outra alegria do Seu Oswaldo era exibir o depoimento, em revistas e jornais, de alguma celebridade sobre as qualidades dos seus hambúrgueres.

Ficava todo-todo e, antes mesmo do bom dia costumeiro, mostrava a revista já devidamente aberta na página onde estava a notícia.

— Você leu?

Perguntava e sorria, orgulhoso da própria história de vida.

É certo, amigos, que Dona Saudade não tem dia certo, nem hora exata para aparecer.

Não serei insincero, porém, de lhes dizer que, antes mesmo da visita, eu já desconfiava de que a refeição seria envolta por uma bruma de recordações.

Ando nostálgico por natureza.

Ah, a propósito, o x-salada continua ótimo, com aquele gostinho único e guardado a sete chaves.

O gosto de saudade, porém, esse fica por conta do freguês.

TRILHA SONORA

     

1 Response
  • Oscar Ribeiro
    21, agosto, 2025

    Putz desta vez você trouxe lembranças
    Muito boas, aliás ótimas e nem sempre fui do Ipiranga cheguei no nosso Bairro do Ipiranga em miados de 1975
    E nunca mais sai.
    Mas o conto é que ainda adolescente de SBC Batateiro, fui convidado a comer o melhor hambúrguer DE SÃO PAULO no Sr Osvaldo lanchonete de uma porta só isso aos meus 17 ano em 1971 times medo da política, mas virou rotina.
    Saldo Sr Oswaldo tinha história.
    Gostei parabéns

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