Foto: Neymar e a seleção/Santos FC/Divulgação
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Ouço a conversa de que o italiano técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, e o coordenador executivo de seleções, Rodrigo Caetano, estão planejando assistir ao jogo de hoje à noite na pujante cidade de Mirassol, interior de São Paulo, entre o time local e o Santos de Neymar & Cia.
A partida é válida pelo Brasileirão deste ano – mas, não tem outro atrativo senão aquele de ver Neymar em campo e avaliar in loco se o renomado atleta de 34 anos merece ou não estar na lista de convocados para os amistosos de março agora e, assim na sequência, fazer por merecer a escolha de ser um dos 26 selecionáveis para o Mundial de 2026.
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Um brevíssimo detalhe chamou a atenção de todos.
Neymar não estará em campo, ao menos é o se sabe nesta chuvosa manhã de terça-feira.
Consta que o boleiro não está contundido.
Diz o clube que em função de “um controle de carga”, o craque será preservado visto que a temporada é e será muito desgastante.
Neymar não entra em campo há 12 dias, vale a ressalva.
A mídia esportiva estranhou e ligou o inevitável desconfiômetro.
Estranho muito estranho.
Carlo Ancelotti vai a Mirassol para ver Neymar que, por sua vez, não estará em campo.
“O que se passa?”
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Meus caros e preclaros,
… euzinho, daqui, do meu humilde posto de observação, não faço a menor questão de saber o que rola em Santos, na sede da CBF ou em Mirassol.
Perdoem-me, se possível.
Mas, lhes direi apenas que…
… posso entender o Neymar.
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Explico.
Por força das circunstâncias, vivi pessoalmente uma situação semelhante nos idos dos anos 70.
Acho até que já lhes contei nos primeiros tempos do Blog, mas enfim não custa recordar.
Vamos aos fatos,
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Naquele tempo…
Deu-se que junto com o amigo Naconecy, assim que nos formamos no curso de Jornalismo, abrimos um valente jornal de bairro, na Mooca. Foi uma aventura de ano e tanto, se bem me lembro. Éramos jovens e algo inconsequentes.
Ah!, nossos vinte e poucos anos!
Assim topamos o tal desafio com a cara, a coragem, nenhum dinheiro e a garagem da casa onde ele morava com a família.
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Era um lugar, digamos, suficiente para abrigar nossa primeira aventura na promissora carreira.
Havia apenas um inconveniente que, aliás, nos passou despercebido até o caso que se registrou.
Seguinte: o dono da casa, o pai do meu amigo e sócio, o Sr. Naconecy, viajava muito a serviço. Mas quando chegava, prudentemente, e com todo o direito, usava parte do espaço da nossa aguerrida Redação para guardar o impávido Opala quatro portas.
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Aliás, fazia mais.
Deixava aberto o capô, o porta-malas e todas as portas do veículo “para maior refrigeração e assim evitar focos de ferrugem”.
Para nós, nada de mais porque defendíamos o pão de cada dia em outros empregos e só à noite nos reuníamos para tocar o jornal.
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Pois bem…
Na tarde de um dia que se perdeu nos desvãos do tempo, o ilustre governador Laudo Natel, em campanha na Zona Leste paulistana, resolveu nos fazer uma surpresa. E incluir, quanta honra!, em sua agenda uma visita à sede do nosso jornal.
A bem da verdade, todos ficamos surpresos e perplexos, inclusive o próprio Natel ao deparar com o inusitado da situação.
Era o dia… Lá estava o possante, todo arreganhado.
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Mesmo assim, não hesitou — ossos de ofício da vida pública – e acabou entrando, a desviar das portas e tralhas com alguma agilidade.
Só soubemos do fato à noite, quando nos reunimos.
Fomos informados pelo irmão do Naconecy que, imbuído do mais alto espírito jornalístico, fez as vezes de anfitrião e, por zelo e oportunidade, registrou o fato pelas lentes de uma indomável Polaroid.
Acontece!
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Dou-lhes o contexto.
Natel era candidato à indicação presidencial que o levaria a permanecer, mais um período, no Palácio dos Bandeirantes. Eram tempos ditatoriais, os anos de chumbo, não havia eleições e o presidente-general de plantão escolhia o governador de São Paulo, como de resto dos demais estados brasileiros.
Para não fugir aos fatos, na sexta-feira seguinte, o valoroso Jornal da Mooca não deixou de registrar o fato com a publicação da foto encimada pelo notável título:
“Laudo Natel visita nossa Redação”.
E, em uma linha fina, de forma categórica, concluía:
“Mas, nós não estávamos”.
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Até hoje desconfio da poderosa força e abrangência do nosso bravo tabloide. Saía quinzenalmente, tinha oito páginas e circulava na Mooca e imediações, com 5 mil exemplares.
Mas, a verdade_verdadeira é que, mesmo com todo o favoritismo de Natel, o governador escolhido, lá na longínqua Brasília, meses depois, foi Paulo Maluf.
E ele nem nos visitou…
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TRILHA SONORA
“Ói, turma, num deu pra esperar/ num faz mar, num tem importância“.
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Analy Cristofani
10, março, 2026Que isso??????
Jornalismo verdade
hahahahahaha