{"id":26741,"date":"2022-02-03T22:01:27","date_gmt":"2022-02-03T22:01:27","guid":{"rendered":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=26741"},"modified":"2022-02-03T22:17:17","modified_gmt":"2022-02-03T22:17:17","slug":"recordacoes-de-um-velho-reporter","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/recordacoes-de-um-velho-reporter\/","title":{"rendered":"Recorda\u00e7\u00f5es de um velho rep\u00f3rter"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Rodolfo, cad\u00ea voc\u00ea?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Martinho da Vila<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Imaginem o tamanho do meu sorriso ao receber o disco autografado das m\u00e3os do rep\u00f3rter que me substituiu na coletiva de imprensa do cantor e compositor Martinho da Vila nos idos dos anos 80?<\/p>\n\n\n\n<p>Na velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a rua Bom Pastor, alguns duvidaram da legitimidade da dedicat\u00f3ria. <\/p>\n\n\n\n<p>Eu mesmo, passada a surpresa inicial, ponderei comigo mesmo:<\/p>\n\n\n\n<p>Aposto que a iniciativa da coisa toda partiu do amigo e assessor de imprensa da RCA Victor, o inesquec\u00edvel Art\u00falio Reis. N\u00e3o comentei com ningu\u00e9m, mas, reconhe\u00e7amos hoje, faz todo o sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>Do nada, o not\u00e1vel sambista ia dar por minha aus\u00eancia em meio a tantos iguais da reportagem?<\/p>\n\n\n\n<p>Coisa do Art\u00falio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou n\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Lembrei essa hist\u00f3ria, dia desses, numa conversa com amigos.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo ano, Martinho fazia um disco novo, repleto de sambas maneiros, e vinha para S\u00e3o Paulo fazer o lan\u00e7amento oficial na metr\u00f3pole, com show no Palace ou no Olympia. Na ter\u00e7a ou na quarta imediatamente anterior \u00e0 noite da estreia, havia a coletiva de imprensa &#8211; e eu l\u00e1, caneta e bloco de anota\u00e7\u00f5es nas m\u00e3os, a ouvi-lo falar do novo trabalho e , sobretudo, das belezas infinitas deste Brasil acolhedor e multirracial.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela tarde, eu me embananei no &#8216;fechamento&#8217; da edi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o consegui me desvencilhar do compromisso de por o jornal na rua.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro rep\u00f3rter foi no meu lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Menos mal que ganhei o disco, mas perdi a preciosa oportunidade do encontro. Sempre culturalmente enriquecedor.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Seja no palco, seja na vida real, Martinho \u00e9 o mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Simp\u00e1tico, malemolente, suave no jeit\u00e3o de tocar a conversa, com sabedoria. Devagar, devagarinho&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se iludam, com o jeit\u00e3o despojado do sambista, Martinho \u00e9 um homem culto, antenado nas coisas do Brasil e do mundo. <\/p>\n\n\n\n<p>Adora historiar sobre as ra\u00edzes de seus ancestrais.<\/p>\n\n\n\n<p>Fala sem ran\u00e7o algum, mas com plena consci\u00eancia das lutas e das conquistas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Houve um ano em que ele e outros artistas fizeram uma temporada de shows na \u00c1frica, percorreram diversos pa\u00edses &#8211; e Martinho voltou maravilhado.<\/p>\n\n\n\n<p>Dizia algo assim: <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c1frica e Brasil s\u00e3o muito parecidos. <\/p>\n\n\n\n<p>Salve a miscigena\u00e7\u00e3o das ra\u00e7as. <\/p>\n\n\n\n<p>Somos um povo lindo. <\/p>\n\n\n\n<p>Temos em comum o &#8220;desafio de construir um futuro de paz.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Martinho Da Vila, Djonga - Era de Aquarius\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YVX9-XugTsA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p> &#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>#Justi\u00e7aParaMoise <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acompanho o notici\u00e1rio sobre Mo\u00efse Kabagambe, 24 anos, origin\u00e1rio do Congo. Ele foi brutal e covardemente assassinado ap\u00f3s cobrar duas di\u00e1rias de trabalho no quiosque Tropic\u00e1lia, na Barra da Tijuca. <\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 30, 40 anos, quando entrevistei Martinho e outros tantos nomes da MPB, me parecia natural que a Humanidade e n\u00f3s, brasileiros, livres do arb\u00edtrio e da opress\u00e3o, enveredar\u00edamos pelos sacrossantos caminhos  de paz, fraternidade, harmonia e justi\u00e7a social.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o imaginei que tamanha barb\u00e1rie fosse poss\u00edvel. <\/p>\n\n\n\n<p>Viv\u00edamos os estertores do s\u00e9culo 20 e aben\u00e7o\u00e1vamos a chegada da Era de Aquarius.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje me dou conta de que Martinho deu um \u00eanfase especial \u00e0 palavra &#8220;desafio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja a constru\u00e7\u00e3o desse futuro de paz, a bem da verdade, sempre foi &#8211; e continua sendo- tarefa de todos n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>#Justi\u00e7aParaMoise  <\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Rodolfo, cad\u00ea voc\u00ea?<\/em><\/p>\n<p><em>Martinho da Vila<\/em><\/p>\n<p>Imaginem o tamanho do meu sorriso ao receber o disco autografado das m\u00e3os do rep\u00f3rter que me substituiu na coletiva de imprensa do cantor e compositor Martinho da Vila nos idos dos anos 80?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":26322,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[1026,283,2469,2466],"class_list":["post-26741","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-martinho-da-vila","tag-memorias","tag-moise-kabagambe","tag-recordacoes-de-um-velho-reporter"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26741","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26741"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26741\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26752,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26741\/revisions\/26752"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26322"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}