{"id":32073,"date":"2024-08-20T06:00:00","date_gmt":"2024-08-20T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=32073"},"modified":"2024-08-25T15:35:11","modified_gmt":"2024-08-25T15:35:11","slug":"o-sequestro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/o-sequestro\/","title":{"rendered":"O dia do sequestro"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: S\u00edlvio Santos e Patricia Abravanel em casa ap\u00f3s o sequestro\/Reprodu\u00e7\u00e3o\/TV Globo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Permitam-me, amigos, incluir entre os textos que seleciono para reverenciar meus 50 anos de jornalismo, a cr\u00f4nica que aqui publiquei em agosto de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Confiram!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O sequestro, o rep\u00f3rter e a Nova Era<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00eas lembram o sequestro do apresentador S\u00edlvio Santos e de sua filha Patr\u00edcia?<\/p>\n\n\n\n<p>Foi em agosto de 2001.<\/p>\n\n\n\n<p>E l\u00e1 se v\u00e3o 20 anos\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro bem dessa tarde \u2013 e lhes explico o porqu\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi meu primeiro enfrentamento com a chamada Nova Era da not\u00edcia em tempo real.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois \u00e9&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>O ch\u00e3o tremia na Velha Reda\u00e7\u00e3o. Um tanto por causa do desgastado assoalho de t\u00e1buas corridas (j\u00e1 entrado em d\u00e9cadas), outro tanto pela correria insana do \u2018fechamento\u2019 de mais uma edi\u00e7\u00e3o da nossa combativa&nbsp;<em>Gazetinha.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o me perguntem, pois n\u00e3o sei responder, como eu dava conta de ler as mat\u00e9rias que os rep\u00f3rteres traziam, ajust\u00e1-las ao espa\u00e7o reservado das p\u00e1ginas, classific\u00e1-las por assunto e editorias, cobrar pelas fotos que sempre atrasavam, rascunhar o desenho da p\u00e1gina, entregar todo esse conte\u00fado para a finaliza\u00e7\u00e3o da diagrama\u00e7\u00e3o, dar uns pitacos de como queria o destaque dessa ou aquela reportagem \u2013 e, de quebra, em meio a tantas e tamanhas, redigir minha coluna semanal e xod\u00f3, o <em>Caro Leitor<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse dia, pela primeira vez, em mais de 20 anos de jornalismo,enfrentei uma situa\u00e7\u00e3o in\u00e9dita \u2013 e ins\u00f3lita.<\/p>\n\n\n\n<p>Escrever sobre uma not\u00edcia que acontecia no exato instante em que eu a redigia.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi na base da intui\u00e7\u00e3o mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante de todas as tarefas e do computador, procurei alternar, ainda at\u00f4nito, o batucar do texto da minha coluna com as informa\u00e7\u00f5es dos notici\u00e1rios online e acompanhava, via r\u00e1dio e TV, o desenrolar do pesadelo do Silvio Santos, ref\u00e9m do sequestrador Fernando Dutra Pinto, em sua pr\u00f3pria casa no bairro do Morumbi.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Vivia um dilema, amigos.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 coisa de semanas, eu assistira, algo incr\u00e9dulo, uma palestra sobre o futuro do jornalismo impresso diante dos avan\u00e7os das plataformas digitais que j\u00e1 atuavam em tempo real. Um dos renomados palestrantes (t\u00e3o renomado, que sequer lhe lembro o nome) enfatizou que o jornal impresso j\u00e1 representava, na verdade, \u201co dia de ontem consolidado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo mundo novo, vale o hoje, o agora\u201d \u2013 provocou o tal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>De ascend\u00eancia calabresa, sou teimoso por natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Na hora, tomei a previs\u00e3o como algo pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o contra o jornal impresso, desabafei comigo mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o imaginei que t\u00e3o cedo vivenciaria tamanho desafio: escrever sobre o fato que ainda n\u00e3o se consumara, mas que o meu car\u00edssimo leitor, no dia seguinte, nem precisaria me ler, pois j\u00e1 sabia o desenrolar da hist\u00f3ria e suas consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Foi um sufoco.<\/p>\n\n\n\n<p>Era um outro Brasil, eu sei.<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo era outro, ok.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, n\u00e3o paira a menor d\u00favida sobre quem manda prender ou manda soltar em termos comunicacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Companheiros, me espanto s\u00f3 de recordar o passo e o caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Da ruidosa m\u00e1quina de escrever ao celular (que vez ou outra substitui meu inst\u00e1vel notebook), da coluna semanal ao blog di\u00e1rio, foi no balan\u00e7ar da carro\u00e7a, creio, que os mel\u00f5es e as solu\u00e7\u00f5es se ajeitaram \u2013 e c\u00e1 estou.<\/p>\n\n\n\n<p>Melhor seria dizer, c\u00e1 estamos. Visto que, cada um \u00e0 sua maneira fez os pr\u00f3prios e indel\u00e9veis enfrentamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Bem, deixemos minhas divaga\u00e7\u00f5es de lado que, de resto, o amigo e\/ou amiga, certamente, est\u00e1 melhor informado do que eu sobre essas modernidades \u2013 redes sociais, Instagram, Face book, Tik Tok e cousa e lousa e maripo(u)sa.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltemos \u00e0quele dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Como terminei a coluna?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Bem, fiz o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p>Aproveitei o contexto. S\u00e3o Paulo vivia um Dia de C\u00e3o. A cidade andava assolada por uma onda de sequestros que a todos amea\u00e7ava. No mesmo momento que SS enfrentava seu infort\u00fanio, outras tr\u00eas ocorr\u00eancias do g\u00eanero aconteciam. Uma delas, inclusive, no mesmo bairro onde S\u00edlvio morava (mora?), o Morumbi.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi a deixa.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da contundente realidade, levei o texto at\u00e9 onde pude, fiz um arrazoado da onda de viol\u00eancia em Sampa \u2013 e a conclus\u00e3o veio com o vatic\u00ednio que o jornalista Mino Carta fez ainda nos anos 70, no <em>Jornal da Rep\u00fablica<\/em> e que nunca esqueci.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de um fato corriqueiro \u00e0quela \u00e9poca (as longas filas que se formavam diante dos postos quando a gasolina subia de pre\u00e7o), Mino fez uma avalia\u00e7\u00e3o do quadro de desmandos pol\u00edticos e sociais do Pa\u00eds, que ainda vivia sob o tac\u00e3o da ditadura, e preconizou: caminhamos para a barb\u00e1rie, para os confrontos urbanos de todos os naipes e tipos, mas sem nenhuma ideologia, sem nenhuma raz\u00e3o; apenas por uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foram exatamente essas as palavras do jornalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, o alerta ficou e soa ainda hoje, acreditem, como a mais terr\u00edvel das verdades.<\/p>\n\n\n\n<p>E l\u00e1 se v\u00e3o 20 anos\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: S\u00edlvio Santos e Patricia Abravanel em casa ap\u00f3s o sequestro\/Reprodu\u00e7\u00e3o\/TV Globo<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>Permitam-me, amigos, incluir entre os textos que seleciono para reverenciar meus 50 anos de jornalismo,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":32075,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[3561,3393,74,135,3950,2079,2078,132],"class_list":["post-32073","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-50-anos-de-jornalismo","tag-coluna","tag-imprensa","tag-memoria","tag-patricia","tag-sequestro","tag-silvio-santos","tag-velha-redacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32073","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32073"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32073\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32136,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32073\/revisions\/32136"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32075"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32073"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32073"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32073"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}