{"id":35230,"date":"2025-09-09T08:00:00","date_gmt":"2025-09-09T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/?p=35230"},"modified":"2025-09-13T16:35:31","modified_gmt":"2025-09-13T16:35:31","slug":"o-amor-na-voz-unica-de-angela-ro-ro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/o-amor-na-voz-unica-de-angela-ro-ro\/","title":{"rendered":"O amor na voz \u00fanica de Angela Ro Ro"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Foto: Tha\u00eds Gallart\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel dizer, sem qualquer exagero, que a segunda metade dos anos 70 foi o auge da chamada ind\u00fastria fonogr\u00e1fica no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tenho c\u00e1 n\u00fameros espec\u00edficos sobre vendagens e coisa e tal.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, posso lhes assegurar que nunca antes na hist\u00f3ria desse pa\u00eds se vendeu tantos discos. Era um lan\u00e7amento atr\u00e1s do outro. Toda semana, como rep\u00f3rter na \u00e1rea de Cultura, cobrindo especificamente as novidades na \u00e1rea de MPB, eu chegava a fazer de quatro a cinco entrevistas com artistas &#8211; novos e consagrados. Tinha agenda cheia, diria.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil era considerado o terceiro mercado em termos mundiais. E em ascens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para lhes dar uma ideia maneira de como sopravam os bons ventos, digo que, numa das edi\u00e7\u00f5es de sexta-feira do jornal em que trabalhava, preenchi uma p\u00e1gina inteira comentando em breves textos nada menos que 18 novos \u00e1lbuns. Detalhe: todos de cantoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Era um momento \u00fanico. E elas estavam em alta. Clara Nunes, Beth Carvalho, Alcione, Maria Beth\u00e2nia, Gal Costa, Simone, Elis Regina, Joana, entre outras e tantas viveram, ent\u00e3o, o momento mais popular e, digamos, comercialmente bem-sucedido, das carreiras de cada uma.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi em 1978, se bem me lembro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi nesse exuberante contexto que, um ano depois, surgiu a surpreendente Angela Ro Ro em seu disco de estreia, que tinha seu nome como t\u00edtulo e um faixa em especial que, de pronto, lhe consagrou \u201cAmor Meu Grande Amor\u201d (parceria dela com Ana Terra) como um dos principais nomes da nova safra (ao lado das tamb\u00e9m novatas Marina Lima, Zizi Possi e Faf\u00e1 de Bel\u00e9m).<\/p>\n\n\n\n<p>Estava na coletiva de apresenta\u00e7\u00e3o da cantora \u2013 e lembro bem a dificuldade que n\u00f3s, rep\u00f3rteres, tivemos de catalog\u00e1-la nos tais g\u00eaneros e estilos ent\u00e3o vigentes. (Perdoem-nos, mas \u00e9 uma mania que temos no jornalismo de tentar classificar a tudo e a todos com r\u00f3tulos que nos facilitaria explicar ao p\u00fablico quem \u00e9 o tal e o qual \u00e9 sua obra.)<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ro Ro tinha l\u00e1 seus 30 anos, era despachada, falante e cantava de um jeito \u00fanico o amor. Era bonita, voz rouca, olhos claros e cativantes. Parecia sentir exatamente as nuances rom\u00e2nticas do que cantava. Tinha um qu\u00ea dram\u00e1tico que fez um dos nossos logo lembrar-se de Maysa Matarazzo, cantora de enorme sucesso no in\u00edcio dos anos 60.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode ser, disse outro. Mas, ao v\u00ea-la ao piano, com jeit\u00e3o algo indom\u00e1vel e transgressor, foi natural, creio, compar\u00e1-la a uma rediviva Janie Joplin dos tr\u00f3picos.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve quem reconhecesse nela uma levada bluzeira no melhor estilo \u2013 e eu, sempre eu, que n\u00e3o quis ficar de fora da conversa, a citei como leg\u00edtima e renovada vers\u00e3o das divas do samba-can\u00e7\u00e3o como Dolores Duran e Nora Ney.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei se algu\u00e9m me levou a s\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Sei que sa\u00edmos de l\u00e1 com a certeza de que surgia uma nova estrela na MPB.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Vida que segue&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Angela Maria Diniz Gon\u00e7alves, a Ro Ro, morreu ontem aos 75 anos, no Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Andava um tanto esquecida pelo grande p\u00fablico, e lamentavelmente \u00e0 margem do circuito dos grandes shows.<\/p>\n\n\n\n<p>Fez uma carreira irregular, marcada pelo temperamento explosivo e s\u00e9rie de pol\u00eamicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tentava, nos \u00faltimos anos, retomar o prumo e voltar \u00e0 cena.<\/p>\n\n\n\n<p>Nunca se submeteu a r\u00f3tulos tolos e, convenhamos, desnecess\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Angela Ro Ro foi \u00fanica.<\/p>\n\n\n\n<p>Cantou o amor e o desamor tamb\u00e9m de forma \u00fanica, e inesquec\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Sobre Angela Ro Ro leia mais:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/um-pouco-de-malandragem\/\">Um pouco de malandragem<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Amor Meu Grande Amor\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/f6S3OXin-0k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p> &#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em>Foto: Tha\u00eds Gallart\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel dizer, sem qualquer exagero, que a segunda metade dos anos 70 foi o auge da chamada ind\u00fastria fonogr\u00e1fica no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":35231,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[597,4959,2369,1722,135,4960,97,596,4961],"class_list":["post-35230","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","tag-amor","tag-angela-ro-ro","tag-anos-70","tag-cantora","tag-memoria","tag-mercado-fonografico","tag-mpb","tag-romance","tag-rotulos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35230","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35230"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35230\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35279,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35230\/revisions\/35279"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35231"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35230"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35230"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35230"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}