Sign up with your email address to be the first to know about new products, VIP offers, blog features & more.

Cenas do próximo capítulo

Posted on

Foto: Divulgação

Minha sobrinha, Luciana Stipp, é atriz.

Atualmente, participa de uma websérie.

Chama-se Conexão/Quaretenando, está no quarto episódio e pode ser vista no You Tube.

Cada uma das partes tem em torno de 20 minutos.

Narram o ir-e-vir de um casal nesses tempos em que não se pode nem ir, menos ainda vir devido ao necessário isolamento social.

Ou seja: uma temática bem atual, nos conformes com as idiossincrasias dos dias que correm.

Assistam – e depois voltem aqui, pois me pus a matutar se deveria ou não escrever sobre a trama.

Escrever é minha sina.

Na medida do impossível, assim tento me entender e entender as coisas todas que pingam soltas nessa longa e sinuosa estrada a qual chamamos “vida”.

Primeira dúvida.

Qual título eu daria ao meu eventual texto?

Por um instante, pretensioso que só,  lembrei-me do livro de Gabriel Garcia Marques:

Amor em tempos de cólera

(Vale uma releitura. Adoro Gabo. Preciso anotar, senão esqueço…)

Assim, por aqui, ficaríamos com algo próximo a:

Amor em tempos pandêmicos

Bandeiroso demais, não?

Seria uma modesta reverência, mas alguém sempre poderia entender como plágio. Normal.

Penso, então, em outro título; correlato, eu diria:

Amor & pandemia

Óbvios demais, o atento leitor há de me dizer.

E com razão.

(Perceberam que tenho sérias dificuldades com títulos, slogans,  frases curtas, ladeiras íngremes – e quase tudo mais na vida.)

Deixemos o título para depois.

Sigamos atentos ao decorrer da trama.

Os protagonistas talvez não se deem conta do que procuram um no outro, o outro no um.

Mais amparo do que um grande e inesquecível amor.

Daqueles de trincar a alma quando se ouve um blues do Djavan.

A propósito…

Quem de nós sabe o quê hoje em dia em meio a tamanha catarse existencial?

Andamos no fio da navalha a flertar com o efêmero.

Vãos amores, amores vão.

Não sou de dar pitacos na vida alheia, mas tenho lá minhas conjecturas.

Provável que o casal olhe para a mesma realidade por prismas distintos.

“Amor pode se confundir com a conveniência do momento” – alertou-nos o mestre Nasci naqueles idos da velha redação de piso assoalhado e grandes janelões para a rua Bom Pastor.

Éramos jovens repórteres. Jovens e inconsequentes.

Ele, veterano de outras quebradas, tentava nos dar um norte:

“Amor acontece. Não se explica.”

“Eis o desafio, meus caros: o amor que se renova a cada manhã.”

“Amor que é amor sobrevive. Pode ter mil e uma formas, mas sobrevive.”

“Envelheçam, e talvez me entendam.”

Nasci era um doutor honoris causa no assunto – e nós, quando muito, meros aprendizes.

Outra lembrança. Mais remota ainda.

Era garoto ainda. Tinha 17 anos.

Arranjei uma carteira de estudante falsa só para assistir, embasbacado, ao filme O perigoso jogo do amor, com Jane Fonda, a diva do momento.

Proibido para menores de 18.

Tenso, muito tenso.

Pai e filho se envolvem com a mesma mulher.

Fiquei pra segunda sessão.

Horas depois saí do Cine Ouro ensimesmado:

“Rapaz, a coisa não é tão simples como nas canções do Roberto, não” – disse aos meus parvos botões.

Tantos anos depois – outro amigo, o Escova, diria: “tantas vidas depois” -, eis o mistério que, por mais que experiências imaginamos ter, nunca se revela.

Ops…

Fim do episódio.

Aguardemos, pois, os próximos capítulos.

Me ocorre, então, um pensamento que disse de improviso, anos atrás, quando participei de uma banca na Universidade. O trabalho de conclusão de curso que a banca deveria avaliar era um livrorreportagem sobre o mesmo e intrincado tema.

Sapequei sem me dar conta exata do que dizia:

“O amor como a vida não permitem nota de rodapé. Ou seja, o que hoje acontece não cabe explicar depois. Vive-se!”

Não sei se os formandos entenderam.

(Pensavam na nota, natural. Queriam 10, como todos.)

Aliás, eu mesmo levei um tempo para ter a exata compreensão do qu’eu disse…

Um adendo:

Se a Luciana não gostar, tô pego no grupo de whats da família!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

signature
1 Response
  • Luciana stipp
    4, maio, 2021

    Ótimo. Obrigada tio. Gosto muito de ler seus pensamentos e fico honrada por ter comentado um trabalho meu!

O que você acha?

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *