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A frase de Almino Affonso

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Foto: Almino Affonso/Divulgação

Meu ex-aluno P.H. que desistiu de trabalhar como jornalista propriamente dito e enveredou para a assessoria de Comunicação, onde “ganha mais e vive melhor”.

“Tenho família, prô!”, justifica-se.

Mesmo assim, diz ele – e até por “ter família” – se preocupa com as idiossincrasias dos abilolados tempos que vivemos.

Não sei bem o que lhe responder.

E lhe cito uma frase que repito à exaustão desde que a ouvi – idos dos anos 80 – do então candidato a senador Almino Affonso:

“É o desespero da derrota que se avizinha”.

Foi uma sábia e oportuna resposta.

Conto-lhe, então,o contexto que deu ensejo à fala.

Durante a campanha eleitoral de 1982 para o governo do Estado de São Paulo, no exato momentto em que o então senador Franco Montoro, do MDB, tomou a dianteira das pesquisas de intenção de voto, os candidatos governistas ficaram alvoroçados com o viés da situação. Como assim? Representavam os ditadores de plantão, contavam com a confiança e o beneplácito dos diversos segmentos que alimentavam o poder. Inclusive da grande mídia, ainda sob censura. Desandaram, então, a fazer pronunciamentos destemperados, acusações raivosas. Soltaram o verbo pra valer.

Algum repórter, então, perguntou a Almino (antigo ministro do Trabalho de Jango Goulart, apoiador de Montoro e então em campanha para o Senado) como ele e os pares de Montoro pensavam em responder a essas altercações.

E Almino serenamente disse que não pensava em responder.

Como assim?, insistiu o repórter.

E ele sapecou a sonora e definitiva frase:

“É o desespero da derrota que se avizinha”.

Leio o noticiário do dia – as guerras que se espalham mundo afora, as destrambelhadas decisões do Governo Trump e seus asseclas dispostos a explodir o Planeta num conflito sem fim, o autoritarismo a pregar um discurso supremacista de ódio e divisionismo… Leio sobreas desesperadastentativas de conter os avanços sociais que se consolidaram da virada do século pra cá…

Pois então, P.H. e caros e preclaros, leio o noticiário – e cá do meu humilde posto de observação, mesmo sem que ninguém me pergunte, eu concluo, aos moldes do notável Almino Affonso:

“É o desespero da derrota que se avizinha”.

Talvez – e certamente – demore mais do que imaginávamos, nós, os que almejávam a Era de Aquarius bela e plena já neste Terceiro Milênio.

Mas, que virá, virá… É inevitável.

TRILHA SONORA

A propósito:

O ex-senador escreveu um ‘livrinho’, com 600 páginas, sobre Jango Goulart como uma grande liderança popular. Chama-se: “1964 na Visão do Ministro do Trabalho de João Goulart”, lançado em 2014. Nele, descreve as pressões daqueles dias atribulados no início dos anos 60. De como os militares vergaram-se diante dos interesses americanos e, junto a outros tantos setores da sociedade, assumiram a narrativa de uma possível ‘cubanização’ das Américas e deram o Golpe de 64 que infelicitou o país por 21 anos, com resquícios inequívocos até os dias de hoje.

Vale a leitura!

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