Foto: São José do Barreiro/Arquivo Pessoal
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Vamos lá…
Que nos guiem a Lua e a silhueta das montanhas!
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Lembrei o Tonico Marques, referência em jornalismo e meu primeiro editor, quando no adiantado da hora no fechamento da edição do dia, páginas do jornal encaminhadas para as rotativas, ele clamava em alto e bom som…
“Missão comprida e cumprida. Agora é fugir para o Oco do Mundo.”
Nunca, ali, nenhum de nós, jovens repórteres, questionou exatamente o significado da frase. Mas, concordávamos com o mestre e guru.
Talvez o Marcão falasse de uma imaginária Pasárgada que Manuel Bandeira consagrou em versos.
Talvez fosse um refúgio.
Um escape qualquer.
Um simples alheamento das coisas da vida.
Um atalho.
Um drible de corpo que dávamos em nós mesmos para o inevitável enfrentamento das barras do dia seguinte e da nova edição.
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A bem da sincera verdade, aquela mal-ajambrada turma de ‘canetinhas’ (repórteres) e lambe-lambes (fotógrafos) dava-se por feliz quando encontrava algum boteco aberto no vagar vagaroso da alta madrugada.
Assim era.
E assim vivíamos.
Felizes?
Digamos que felizes dentro do possível.
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Por conta e risco, dou um salto no tempo.
Escorreguei para as minhas lembranças (que novidade!) na vã tentativa de justificar aos meus amáveis cinco ou seis leitores minha ausência “da lida diária” na semana que passou, como bem cobrou-me ainda ontem o amigo de sempre e eterno vereador Almir Guimarães,.
Quando estou em São José do Barreiro escrevo mais esparsamente no Blog, respondi sem responder.
Ou, como fiz semana passada, não escrevo – e ponto e basta.
Refúgio?
Escape?
Alheamento?
Atalho para o tudo, o nada e o lusco-fusco da vida real?
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Não sei.
Para ser sincero, ando entendendo e dando explicações para pouquíssimas coisas hoje em dia.
“A vida é o que é” – dizia-nos com tom professoral Waltinho Cazuza, filósofo popular dos anos perdidos da minha infância como moleque de rua na Muniz de Souza e vigoroso zagueiro central dom ‘segundinho’ do implacável Santos Futebol Clube do Cambuci.
Ah, nos dias de semana, também era motorista de entregas e namorava a irmã do meu particular amigo Claudinho Zeola.
Era uns 10 anos mais velho que nós – mas, vez ou outra, estacionava a Kombi e vinha, no entusiasmo, disputar um rachão com a molecada no campinho improvisado da rua Apiaí, atua Miguel Telles Júnior.
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Eita sô…
Outro escorregão nostálgico.
Meus caros e raros, se há uma coisa boa em envelhecer, é acatar a perene sabedoria que nos trazem os próprios limites e vontades.
É ser o que se é. No exato instante que se é.
Não encontro nenhuma explicação que valha o registro.
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Poderia alegar as tribulações diárias que os portais hoje transformam em notícia do momento.
Que não me apraz escrevinhar sobre o avanço nazifascistas, das figurinhas carimbadas ou não que pululam nas manchetes, seja em que âmbito for – político, esportivo e social. Da mequinhez e o egoísmo que parece mover tragicamente a rotação da Terra ao redor do Sol.
Que o mundo contemporâneo transformou-se na imensa Babel das redes sociais e dos infindáveis podcasts onde todos querem expressar as sua honoráveis opiniões sobre tudo e, decididamente, ninguém quer ouvir essa dominante distopia cacofônica e metafísica.
Que isso, aquilo e aquel’outro…
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Enfim…
A pacata São José do Barreiro, ao pé da Serra da Bocaina, propõe a lassidão, o silêncio e a reflexão.
Sugere a pausa no banco da praça no fim de tarde, o badalar do sino da igreja de São José Operário nas horas cheias, o andar vagaroso de quem vai e de quem volta com a certeza de chegar e ser bem chegado. Sugere as conversas ao pé do ouvido, o riso descompromissado e olhar o mundo com aquele fio de esperança que ainda nos faz possível entender que todos somos irmãos, solidariamente irmãos.
Lá, Waltinho Cazuza (onde anda?) e amigos que me leem, a vida é o que é do jeito que a gente gostaria que fosse…
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TRILHA SONORA
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