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Depois de Ênio, Chinesinho e Ademir, é hora de dizer ‘obrigado’ a Veiga

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(Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

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Quero lhes falar de Raphael Veiga.

Uma singela homenagem.

Os números do rapaz em sua passagem pelo Palmeiras impressionam.

384 jogos e 109 gols.

Maior artilheiro do Palmeiras neste século.

Maior artilheiro do Allianz Parque.

Top 20 entre os maiores artilheiros da história do clube.

Top 10 no ranking de maiores campeões.

4 campeonatos paulistas (2020, 22, 23 e 24),

1 Copa do Brasil (2020),

2 Libertadores (2020 e 21),

1 Recopa Sulamericana (2022),

2 Brasileiros (2022 e 23) e

1 Super Copa do Brasil (2023)

Sou das antigas, amigos…

Palmeirense desde o berço, assim como o Veiga, digo-lhes que não sei entender a vida sem a magia insana (e, por vezes, cruel) do Planeta Bola.

O primeiro camisa 10 do Meu Verdão que tenho lembrança de ver em campo, ainda na versão original do Parque Antarctica (versão anterior ao estádio se transformar no famoso Jardim Suspenso) foi o gaúcho Ênio Andrade, “o veterano pensador do ataque palestrino”, no dizer do Velho Aldo, meu pai.

Neste dia, na partida diante do XV de Piracicaba, quando inaugurou-se o busto de Valdemar Fiume, aprendi o significado da palavra ‘veterano’.

Soou-me como algo respeitoso, um elogio que o pai fazia aquele senhor troncudo e ágil que fazia “a bola correr e o time se movimentar”. Que categoria!

Quando foi isso?

Talvez em 1958, pois no ano seguinte (1959), quando comemoramos o Palmeiras supercampeão paulista em cima do Santos de Pelé, Pepe, Zito & Cia, o 10 do Palmeiras já era outro. Gaúcho também, de apelido Chinesinho.

Permitam-me recorrer a outra definição do Velho Aldo, é justo que lhe dê os créditos, pois meus olhos de menino eram puro encantamento:

“Vê, filho, é o motorzinho do time. Joga por ele e pelos outros. Esconde a bola”.

Chinesinho foi vendido para a Itália “por uma fortuna”.

Em 1963, quando fomos campeões paulistas e quebramos o possível tetracampeonato santista, os amigos leitores já devem imaginar quem era o camisa 10 do Palmeiras…

Isso mesmo. Ademir da Guia, o Divino.

Eu tinha 12 anos – e estava no Pacaembu com meu pai (que teve a perna chamuscada por um estouro de rojão) quando o Palmeiras venceu o Noroeste de Bauru e consolidou a conquista.

O Velho Aldo gostava de ver os jogos junto ao alambrado.

Eu preferi ficar na arquibancada com uma turma de amigos. Escapei do chabum!

Não preciso dizer, mas digo que o Divino foi dono e senhor do manto palestrino por anos e anos a fio. Fez parte do time da primeira Academia (a verdadeira de Dom Filpo Nuñes) e foi o cérebro da equipe histórica da segunda Academia (a bicampeã brasileira em 72 e 73, sob comando de Oswaldo Brandão).

Sua gloriosa história no Palmeiras terminou abruptamente em 77 por causa de uma misteriosa dor na planta do pé. (À época, já com 38 anos, davam como certa a venda do Divino para o futebol americano. Não aconteceu.)

Da Guia é o maior ídolo da história do Palmeiras?

Talvez seja. Não sei – e não gosto de fazer essas comparações.

Dos que eu vi jogar, penso que sim.

Depois dele, meus caros e preclaros, triste memória, foi um vazio de craques e títulos.

Sou capaz de lembrar de um boliviano de nome Carlos Aragonês. Era bom de bola o moço. Jogou com a 10, mas, por aqui, eu diria que foi mais fama que proveito.

Só mesmo na era da Parmalat, de tantas e tamanhas conquistas, voltamos a ter um camisa 10 de peso: Rivaldo, Zinho (talvez) e finalmente o mais habilidoso de todos, Djalminha, naquele timaço de 1996.

Pena que durou pouco – alguns meses, um extraordinário campeonato paulista – toda esse fulgor.

Pois então, meu caros…

Vamos terminando nossa pitadinha histórica.

Chegamos ao século 21, anos 2000 – e tenho apenas mais dois registros que, verdadeiramente, merecem ser feitos: (1) para o inesquecível Alex, meia de fino trato e gols históricos; cracaço de bola, igualmente injustiçado, assim como Ademir da Guia, na seleção brasileira… E (2) para o mago Valdivia, nosso maluco_belezade dribles desconcertantes, comemorações bizarras e provocações aos arquirrivais.

Vi recentemente o próprio Raphael Veiga dizer que, quando garoto, ia ao estádio para ver o chileno aprontar das suas. Que não eram poucas, não.

Quase 4 mil caracteres…

Prometi lhes falar do Veiga (que agora vai passar um tempo no América do México em novo desafio à sua brilhante carreira) e desandei por nomes e lembranças do amplo e vistoso passado do Meu Verdão.

Entendam, amigos. Ao falar de cada um desses craques históricos e únicos, tratei, sim, do muito que Raphael Veiga representou para a vida de todo nós, da comunidade palmeirense e/ou, palestrina e/ou palmeirista, como dizia o Velho Aldo.

“Sou palmeirista, do tempo do Palestra Itália, do Jair e do Liminha…”

Ô saudade!

Ô saudade, sim.

Sei que o nosso Veiga, dadas a essas modernidades, sempre jogou com a camisa 23.

Mas, é óbvio e notório que ele faz parte dessa turma.

Está no panteão dos nossos camisas 10 históricos, deuses da Bola.

Tem nosso reconhecimento e aplauso.

Vai, campeão! Vai ser feliz!

E não esqueça de nós que não o esqueceremos.

(*) Atualizado às 14h18.

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