Foto: Cláudio Micheli (in memoriam)/Arquivo Pessoal
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“Veja errou…”
“Diferentemente do que a Folha de S.Paulo ontem publicou…”
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Pois, então, meus caros, raros e preclaros,
no batidão acelerado dos fechamentos dos jornais de antigamente, no adiantado da hora de mandar as páginas para a rotativa, errava-se bastante também.
Sem mimimi.
Errare humanum est.
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No dia seguinte, alertados sobre o erro cometido, devidamente enquadrados os responsáveis (quase sempre mais do que um, pois alguém apurou e escreveu, outro leu e revisou, um terceiro aprovou e editou), vinham as chamadas Erratas na edição próxima futura.
“Veja errou…”
“Diferentemente do que a Folha de S.Paulo ontem publicou…”
Entre outros, os conhecidos bordões das velhas e ruidosas redações que o tempo e as novas plataformas silenciaram.
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Naquele contexto, se desdizia o que se disse anteriormente e, cuidadosamente, publicava-se a informação correta.
Não vou lhes garantir que a reparação e o esclarecimento do vacilo compensavam (e/ou aliviavam) a repercussão do que a má informação havia causado na opinião pública.
Mas, tentar bem que tentávamos.
Tal reparo era nosso compromisso para não perder a credibilidade que é “a pedra filosofal” do jornalismo.
Um jornalista sem credibilidade é um arremedo de si mesmo.
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Havia um bordão que se repetia à exaustão no cotidiano das redações:
“Deus é inocente. A Imprensa, não”.
A propósito, tal consideração virou título de livro escrito pelo jornalista Carlos Dorneles, publicado (olha que curioso!) pela Editora Globo (em 2002), que analisa como a mídia manipula informações, muitas vezes distorcendo a realidade, especialmente em contextos limites como guerra, conflitos internacionais e eleições polarizadas e… indefinidas.
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Faço todo esse preâmbulo para lhes dizer o que vou dizer – e, creio, meu atento leitor já imagina.
Difícil acreditar que foi um mero descuido (ui!) o ‘PowerPoint’ fajuto que o programa Estúdio I, comandado pela jornalista Andréia Sadi e participação de outros experientes profissionais, exibiu na edição de sexta-passada (dia 20) ao se dispor analisar as consequências políticas do caso Master. Caso esse que vem abalando nossas estruturas institucionais e, inevitavelmente, terá consequências eleitorais neste ano.
Ninguém ali se deu conta que a peça, algo tosca para os padrões globais, tentava suposta e descaradamente configurar as ligações do banqueiro picareta a setores do Governo Lula e o Partido dos Trbalhadores. Omitiu, por outro descuido (ui!) nomes e participações de destaque na gandaia financeira que ora se apura na PF e nos tribunais.
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Sabe-se bem: o histórico da Globo e de seus asseclas nesses desenredos é pesado.
Vai daí que pegou mal, muito mal – e as redes sociais reagiram fortemente.
Para o bem e para o mal, não vivemos mais sob o domínio único das chamadas ‘grandes corporações midiáticas’.
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Diante da enxurrada de protestos (dizem até que de uma notificação judicial), antes mesmo do inevitavelmente cancelamento tão em voga nos dias atuais, veio o pedido de desculpas, lido em tom constrangido pela própria Sadi, na edição de segunda (23) do mesmo programa.
Justificou: obra da pressa e do acaso, digamos assim. (Ui!)
Tivemos, pois sim, as desculpas, mas não a devida correção do fragoroso deslize. Menos ainda qualquer outro esclarecimento.
Fica o dito pelo não dito, gente – e segue o jogo.
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Bons e folclóricos tempos aqueles em que tínhamos Cid Moreira na bancada do Jornal Nacional.
Sempre que ocorria uma interrupção de ordem técnica na transmissão, quando o decano dos apresentadores voltava ao ar, ele ajeitava-se à cena e sacramentava categórico:
“Desculpem a nossa falha.”
O tonitruante Cid Moreira era bem mais convincente.
Acreditávamos nele.
Mas, só nele…
(O ano eleitoral promete outras tantas patacoadas. Atentos, companheiros.)
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