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Notícias de Toscoland

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Nossa reportagem visita hoje essa ilha de prosperidade chamada Toscoland.

Viemos fazer um roteiro turístico do belo país tropical que, dizem todos, é “abençoado por Deus e bonito por natureza”.

(Bem, se não são exatamente todos a fazer tal comentário, ao menos há uma canção que assim diz e todos cantam e dançam e disfarçam num ar de eterna alegria.)

Vale um importante registro: a tal prosperidade, aliás, nunca chegou a ser partilhada pelos nativos mais humildes.

Por essa e por outras (que narrarei a seguir) precisei reformular a pauta de nossa estada jornalística por aqui.

Motivo?

Simples, amigos.

A Terra está tremelicando – e não é pela fúria da natureza, não. Que aqui não há vulcões. Há barragens à beira de se romper, sim. Mas, isto é desmazelo das autoridades e outro triste assunto.

De qualquer forma, não recomendo qualquer passeio no próximo fim de semana e no outro e no outro…

Resumo da ópera: não recomendo visitas por tempo indeterminado, ok?

Ao que posso perceber, a ilha está virando terra de ninguém. Ou melhor, terra daqueles pouquíssimos que sempre mandaram e desmandaram por aqui. Só que nem eles se entendem.

Falam em milícias, crime organizado e variados, economia em frangalhos, instabilidade social e institucional e, acreditem, há pessoas que desaparecem assim do nada. Como se abduzidas por um disco voador.

Comenta-se que um tal de Queiroz, amigo do presidente, sumiu de um dia pro outro, Ninguém sabe ninguém viu.

Juro que é verdade!

Para os caríssimos terem uma ideia da bagunça, o próprio presidente, recentemente eleito por 57 milhões de votos, está em dúvida se é mesmo, ele, o presidente. Tanto que incentivou, para este domingo, provavelmente ensolarado, uma manifestação popular para chamar de sua.

Os pacatos habitantes se espantaram com o insano desejo.

Afinal, quer provar exatamente o quê?

Quer virar rei?

Talvez.

Inclusive parte daqueles que lhe honraram com o voto na eleição passada também se mostra arrependida e descabela-se diante da situação.

Há tantas medidas a serem tomadas no âmbito governamental – e o presidente reluta em ‘performar’, em presidir. Ainda a se comportar como se estivesse em campanha.

Pelas redes sociais (que ele ama), o homem conclamou o apoio da turba organizada que logrou colocá-lo no cargo maior de Toscoland.

Escuto aqui e ali, porém, que ele articula uma raquetada daquelas nas instituições da pobre ilha e, assim, ele os seus possam se perpetuar no comando da bagaça toda do jeito que bem entendem?

Dizem, não sei, que a turminha é chegada num golpe.

Sussurram que já rasgaram a Constituição.

Não sei.

Estou aqui de passagem – e bem rápida, por sinal.

Durma-se com um barulho desses!

Barulho que, aliás, tende a ser enriquecido, recheado, vitaminado pelos estampidos saídos de fuzis semi-automáticos que o insano presidente acaba de liberar a compra, por nefasto decreto, para toda a população.

Quem quiser que se arme!

É o novo slogan por aqui.

Fico assim assim em continuar a reportagem.

Explico.

Nos meus tempos de garoto, assistia aos filmes de faroeste nas matinês de domingo. Lógico que torcia pelo mocinho, aquele que se dá bem no final e casa com a garota mais linda da cidade.

Só que, ao mesmo tempo em que me enlevava com a ação e o romance, me batia uma temor danado de ver, na tela, toda aquela gente armada, andando pelas ruas da cidadezinha, com ares de poucos amigos.

Qualquer discussão, qualquer não-me-toque, era tiro pra todo lado.

Nunca imaginei viver em tal cenário.

Por isso, só me tranquilizava quando chegava à casa onde morava – e ouvia as sábias palavras do meu pai:

“Aquilo foi em outro tempo. Os homens eram broncos. Agora, não, a humanidade evoluiu… Uma boa conversa e todos se entendem. O futuro será de paz, harmonia e justiça social.”

O pai era um bom homem.

Solidário, generoso, otimista em relação à Humanidade.

Mas nunca foi bom de previsão…

 

Foto: arquivo pessoal
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