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A convocação. Faltou alguém?

Carlo Ancelotti na coletiva de imprensa explica a convocação para o Mundial/ Foto: RS

Hoje não estou nada original – se é que algum dia cheguei a ser?

Não tenho como escapar do assunto do dia, da semana, do mês. Quiçá, do ano, das próximas décadas.

Ou não?

Permitam-me, caros leitores, dar um descarado repeteco à introdução da crônica que escrevi em 7 de novembro de 2022 quando o honorável Sr. Adenor Tite (lembram-se dele?) soltou a lista dos convocados para o Mundial daquele ano, realizado no Qatar.

É bem verdade que não houve o mesmo e ruidoso “circo”.

Mas, como de hábito nessas ocasiões, a repercussão também se fez ampla, geral e irrestrita.

Vamos ao que escrevi então e hoje repito:

Gosto de futebol, todos sabem.

Em consequência, gosto da Copa do Mundo.

Assisto a todos os jogos que posso (da dita Copa do Mundo).

Por conseguinte, dirão os amigos:

“Então, naturalmente, é fã da seleção brasileira?”

Pois, então…

Não sou muito chegado, não.

Sinto que pouco a pouco, a tal seleção canarinho se afastou de mim.

E eu dela…

Não vou torcer contra.

Sou apenas indiferente.

Não sei se me entendem…

Salto no tempo…

Ao contrário daquele diam na tarde desta segunda (dia 18 de maio), imaginei-me distante acompanhei ao anúncio dos convocados da seleção brasileira pelo não menos honorável Sr. Carleto com vista ao Mundial deste ano.

Tentei seguir minha rotina habitual de fim de tarde.

Tô nem aí pra seleção, a copa é só um grande negócio, 48 seleções e zero futebol, ainda mais esse delírio de se dividir os jogos em três países e cousa e lousa e maripo(u)sa.

Principal: sabia de antemão que não haveria jogador do meu amado Verdão, a Azurra está fora pela terceira vez seguida – então, concluí em pensamentos de mim para comigo, estou fora

Ledo e ivo engano, meu caros, raros e preclaros.

Assim que coloquei os pés na rua já percebi que não seria fácil a missão de isolar-me do fato em questão – e, sobretudo, da pergunta que se fazia inevitável:

“E aí, S. Rodolfo, vamos ser hexa com o Neymar na Copa?”

Ouvi já à saída do prédio do amável e entusiasmado Alexandre, o porteiro, olhos atentos às telinhas de segurança do edifício e do celular que transmitia a cerimônia organizada pela CBF com ares de grande evento.

Dei um sorriso como resposta a simular uma falsa concordância.

Daí pra frente, juro que, por onde andei, senti que o clima já era de Copa do Mundo e, registre-se, com Neymar com a camisa 10 que, em épocas outras, foi do inigualável Pelé – foi assim na caminhada até a clínica onde faço fisioterapia e acupuntura (uns dois quilômetros), reparei que o trânsito estava um tanto mais travado (os motoristas pareciam mais atentos ao noticiário esportivo do que ao volante), continuou assim durante as sessões (todos queriam dar seus pitacos à lista do italiano e todos concluíam que Neymar era nome certo) e permaneceu predominante nas conversas entre o grupo de pessoas que estava na padaria, onde parei para tomar café – e onde, por fim, pude ver pela TV do estabelecimento a explosão de alegria de todos quando confirmou-se o nome de Neymar entre os 26 escolhidos.

Serei sincero. Tenho uma boa rodagem como torcedor de futebol. Venho de longe, meus caros. Anos 50. De certa forma, e com mais interesse, acompanhei tantas e havidas convocações que se deram a partir de então.

Ponto, parágrafo (para dar mais ênfase):

Não me lembro de tamanha comoção. Nem sequer com Pelé na extraordinária Copa de 70. Nem com Zico na Copa de 86 quando ainda contundido havia a incerteza que iria ao Mundial…

Não me lembro mesmo.

Achei bizarro.

Em meio às celebrações pela ida de Neymar à Copa, saudadas na tela e na vida real ao meu redor, tentei manter minha plácida indiferença e o ar blasé do filósofo contemporâneo, com pitadas de tédio irônico e distanciamento crítico frente aos absurdos do cotidiano.

Mesmo assim, amigos… Mesmo assim, alguém que não conheço, um jovem vestindo a camisa do Santos, teve a ousadia de me perguntar o que achei da convocação.

Fui sucinto na resposta.

“Faltou o Breno Lopes, amigo. Sem ele, o hexacampeonato não vem.”

TRILHA SONORA

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