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A seleção das seleções

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Garrincha e Pelé na Copa de 1958/Foto: Site da CBF

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Não acho justo as comparações.

Dessas que se fazem nos programas esportivos com a escolha de quem é melhor que quem. Põem mano a mano jogadores de hoje com os do passado, contrapõem times de épocas distintas, seleções tantas e diversas entre si e seguem por aí,

Os comentadores de plantão se arvoram o direito divino da escolha e da verdade que se faz absoluta, para o gajo e o púbico geral.

Disse acima que não acho justo. O mundo é outro, ó gentes da minha terra. O futebol não é o mesmo. Tem lá suas manigâncias (aprendi a palavra num conto que li da Clarice Lispector). O Planeta Bola segue girando, girando, girando… Cada vez mais tecnológico e pragmático.

Viram o gol da Croácia anulado no último minuto do jogo de ontem, contra Portugal?

O tal do chip eletrônico decretou o toque na bola do jogador croata que decretou o impedimento do parceiro que deu sequência à jogada que terminou no gol que seria o do merecido empate.

Gol anulado. A Croácia fora da Copa – e, diria João Saldanha, vida que segue.

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Vida-que-segue também aqui no Blog.

Disse e repeti que não acho justas as comparações.

Não quer dizer que não goste da brincadeira do quem é quem.

É bem verdade que, do lado de cá da telinha e sem direito a voto, quase sempre fico pê da vida com os senhores brincantes que fazem a escolha. Quase sempre – 99,9 por cento das vezes – não batem com as minhas.

Mas isto é outra conversa.

Tô pra dizer, e digo que o futebol… Melhor dizendo: a paixão pelo futebol sobrevive da nossa inexorável memória afetiva.

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Dou-lhes, como sempre faço, um “por exemplo”.

Lá no mais antigo dos anos, na noite quase madrugada que se perdeu no breu da memória – e que só hoje dei de lembrar em função da efervescência da Copa do Mundo…

Pois, então, lá nessa noite, a turma de mal-ajambrados que se reunia naquele boteco na quebrada do Sacomã, resolveu mudar de endereço e comemorar não-sei-bem-o-que na Churrascaria Esteio (churrascaria rodízio, diga-se) que era dia de pagamento – e ainda tínhamos algum trocado pra gastar.

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Comandados pelo Mestre dos Mestres, o inesquecível amigo Nasci (que se gabava de ser ele, Nasci, amigo pessoal de Eli Coimbra, Sérgio Baklanos, Odair Pimentel e Carlos Aymar, nomes de peso da nossa crônica esportiva), passamos todos a palpitar sobre qual seria a nossa seleção brasileira de todos os tempos.

Havia ali breacos de várias idades a palpitar. O Nasci e mais um ou outro na faixa dos 50 indo pros 60. Uns parceiros, com 40 e tantos – e nós, os viúvos da Copa de 82, entre 20 e 30 e poucos.

Foi um salseiro. Regado a chopes (que se bebeu mais do que se comeu) e risadas, desavenças e risadas, e mais chopes, mais desavenças, mais risadas e a conclusão que tento agora lembrar:

Goleiro: Gilmar (copas de 58 e 62)

Insisti no Leão (reserva em 70 e 86, titular em 74 e 78), mas fui voto vencido.

Lateral direito: ficou entre Carlos Alberto (copa de 70) e Djalma Santos (54, 58, 62 e 66).

Meio tempo cada um – e ponto e basta.

Zagueiro Central: Mauro Ramos de Oliveira (reserva em 58, titular em 62)

Votei em Luis Pereira (74), mas…

Quarto zagueiro: Aldair (copas de 90, 94 e 98)

Teimoso que só, tentei deslocar Luís Pereira para a quarta zaga. Ninguém me ouviu.

Lateral Esquerdo: Nílton Santos (50, 54, 58 e 62)

Unanimidade merecida.

Volante: Paulo Roberto Falcão (copas de 82 e 86).

Foram citados Zito (58 e 62) e Clodoaldo (70),

Ponta direita: Garrincha (copas de 58, 62 e 66).

Unanimidade explicita.

Meia direita: Didi (54, 58 e 62)

Também em escolha unânime.

Centro avante: Leônidas (copas de 34 e 38)

A vontade dos são-paulinos, mais vividos, prevaleceu.

Escolhi Tostão (copas de 66 e 70).

Camisa 10: Pelé (copas de 58, 62, 66 e 70)

O Rei, primeiro e único. Unanimidade das unanimidades.

Ponta esquerda: Rivelino (copas de 70 e 74)

Zagallo (copas de 58 e 62) também foi bem citado.

Tentei votar em Canhoteiro que não jogou copa nenhuma. Disseram-me que era cláusula pétrea das escolhas ter jogado, ao menos, um Mundial. Um dos maiores dribladores do futebol brasileiro, o tricolor Canhoteiro, ficou fora da Copa de 1958 por contusão.

Ops…

Detalhe importante. Não selecionamos o técnico. Motivo. Com esse onze, era só distribuir as camisas e, como dizia o Seo Boneco, correr para a galera.

Old Times!

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TRILHA SONORA

Para aperfeiçoar o imperfeito…

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