Foto: Revista Statto
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A amiga, jornalista, psicóloga e professora Veronica Cortes, me encaminha o novo intrigante artigo que escreveu para a Revista Statto.
O título por si só é convite à reflexão:
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Veronica alerta logo nas primeiras linhas:
“Hoje me ponho a escrever sobre um tema impopular e invisível, a nossa sombra. Já lidar com o outro é um desafio, o que dirá, com o outro em mim?”
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Gosto do questionamento – e leio a substanciosa peça com vivo interesse.
Eu a entendo como verdadeira provocação a nós mesmos.
A amiga tem ampla bagagem acadêmica, é doutora e cousa e lousa e maripo(u)sa.
Discorre sobre o assunto com a habitual verve e competência. Cita Jung, Whitmont, Zweig, entre outros tantos e tamanhos.
Penso, cá com meus botões (sim, ainda uso camisa de abotoar), que seja mesmo oportuno o olhar mais aprofundado para dentro de nós mesmos neste momento que ora vivemos. Momento, penso, repleto de anseios, medos, buscas, veleidades, enganos e desenganos notáveis e notórios. Momento potencializado pelas redes sociais a reverberar na inquietante realidade da vida como ela é e não na que nos sugere ser.
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Me enrosquei um tanto na conceituação, mas tomara que os meus cinco ou seis fiéis leitores entendam.
Lembrei-me, ao término da leitura do artigo, de uma canção dos anos 80 (“Paixão”, dos gaúchos Kleiton e Kledir). Havia um verso simples de arrebatadora objetividade:
“Ser feliz é tudo o que se quer”.
(Creio que me fiz entender, não?)
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Outra lembrança me ocorreu na esteira do que a Veronica tão bem dissertou: o monólogo do Pedro Cardoso, que assisti tempos atrás num teatro paulistano. O título era “Alto-Falante” e contava a incrível história de um cidadão que falava sozinho. Tanto falava que, em determinado momento da montagem, assaltou-lhe a implacável dúvida: o bom homem não sabia se ele era ele mesmo ou ele era o homem com quem conversava e lhe questionava a cada instante as verdades absolutas com as quais imaginava conviver.
Hilariante!
A plateia desmanchava-se em gargalhadas e em um riso despreocupado que, segundos depois, se fazia devastador.
Talvez uns e outros prescrutassem, naquele instante de involuntária reflexão, as mesmas e doridas dúvidas, os mesmos e inquietantes dilemas.
Eu, entre os tais e os quais.
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TRILHA SONORA
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