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120 anos de futebol

O futebol brasileiro completa hoje 120 anos.

A versão mais aceita, segunda reportagem da Folha de S.Paulo de ontem, é que o pioneiro Charles Miller juntou uma tropa de ‘peladeiros’, devidamente uniformizados e organizados em dois grupos de onze, em um pasto na Várzea do Carmo (região Central de São Paulo) para realizar o primeiro jogo oficial de futebol no Brasil.

Deu tudo certo. Afinal, não havia nem FPF, nem CBF para atrapalhar, menos ainda o Galvão Bueno para transmitir.

(Aliás, se o Galvão algum dia ler a bela matéria do repórter Rafael Reis, tenho certeza que dirá logo após o primeiro parágrafo: de 120 anos de futebol, tenho 40 transmitindo partidas.)

Bem amigos, voltemos ao tema.

O jogo foi em um domingo à tarde e o team do São Paulo Railway venceu por 4×2 o da Gás Company.

Não há uma confirmação exata do local onde aconteceu a porfia. Nem adianta perguntar lá, no Posto Ipiranga. A reportagem, no entanto, sugere que tenha sido em uma chácara entre as ruas do Gasômetro e Benjamim Oliveira.

A leitura me fez lembrar a infância, meados dos anos 50. São Paulo continuava a ser pouco mais que uma aldeia. O vô Carlito levava minha irmã respirar o ar pesado do Gasômetro, no Brás, para que ela melhorasse de uma bronquite que a afligia. À época, diziam, a receita era infalível.

Em algumas ocasiões, eu ia de acompanhante, mais de olho no lanche de pão e mortadela que levávamos do que por alguma recomendação médica. Ficávamos perdidos por ali, por duas ou três horas, passeando pelos arredores do Palácio das Indústrias.

Era mesmo um lugar aprazível, apesar do cheiro forte de gás. Havia poucos prédios (o do Mercado Municipal era um deles), muito verde, alguns campos de futebol de várzea e até uma lagoa, ali pelas imediações do Parque Dom Pedro.
Como disse, São Paulo era pouco mais do que uma aldeia. E eu, que ostentava o apelido de Tchinim, um garoto sonhador que já amava o futebol e que, por descuido e sem saber talvez tenha pisado no mesmo pasto (ou gramado) onde nasceu o esporte mais popular do Brasil.

Não sou o Galvão, mas também gosto de contar as minhas prosas…

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