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1968 e os leitores

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Vejam o enrosco em que o cronista se meteu ao falar de 1968.

O tema, não imaginei, repercutiu mais do que supunha entre os meus amáveis cinco ou seis leitores e, sobretudo e especialmente, na roda de amigos dispersos mundo afora.

O Poeta, meu chegado, foi, digamos assim, o mentor do post de ontem, mas outros camaradas também chiaram e me enviaram seus pitacos.

II.

Começo pela amiga Leila que relembrou idos tempos em que trabalhávamos na velha redação de piso assoalhado e grandes janelões para a rua Bom Pasto. Mesmo nos anos 70, ainda convivíamos com o eco e o legado de 68 na construção de uma sociedade mais liberta, democrática e pacífica:

“É proibido proibir. Bons tempos. Bons sonhos.”

III.

Outra Leila, que mora nos Estados Unidos, lamentou não ter vivido aqueles dias intensos.

“Minha geração pegou o fim de tudo” – escreveu. “O de antes e o de agora.”

Nem tanto, moça. A turma dos anos 80/90 também teve lá seus dias de agito, embalou a pegada do ano que não terminou e avançou fortemente no sentido de notáveis conquistas sociais.

Somos mais livres hoje, ou não?

Preservar essas conquistas – a liberdade de expressão, de se ser o que se é, de respeito à diversidade, às minorias, aos credos, às raças, à possibilidade de amar e sonhar; preservar essas conquistas, como ia dizendo, é tarefa de todas as gerações, de todos nós.

Por isso, moça, penso que, apesar de tudo o que se vê e o que não se vê, é importante estarmos juntos.

Sonho que se sonha junto é realidade.

IV.

Outro assunto que ampliou a conversa sobre 68 foi a questão da escolha das músicas.

“Sobrou Caetano” – me disse um amável leitor que prefere não ter o nome revelado. “E o Tomzé, com ‘São São Paulo, Meu Amor’ que venceu o Festival da Canção de 68 e a épica ‘Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores’, de Vandré, que bagunçou o FIC, do mesmo ano?

A leitora Denise citou “Roda Viva”, de Chico Buarque, que foi trilha da sua formatura em Jornalismo – e nem faz tanto tempo assim. Eu lhe expliquei que a composição participou do Festival de 67. Apesar de que o pau comeu em julho de 68 quando os filhos… da ditadura invadiram o Teatro Ruth Escobar interromperam o espetáculo, espancaram artistas (Marília Pera e Marieta Severo, entre eles) e depredaram o cenário da encenação que Chico escreveu inspirado na célebre canção.

V.

Manuelino, o sentimental, cobrou: ontem eu deveria ter  disponibilizado, no Blog, a música do Paulo Sérgio ( ‘A Última Canção’), a que tocávamos sem parar na loja de discos em que trabalhei.

O amigo lembrou ainda que, naquele ano, Roberto Carlos fez um sucesso enorme com a clássica “Eu te amo, te amo, te amo”.

“Bonita a música, hein!”

Grande Mané, não o vejo há tanto tempo. Sempre um apaixonado.

VI.

Por fim – e deixei de propósito para o final -, me apareceu no zap o Escova, outro que descambou pelos confins da Europa e agora só dá as caras por aqui quando lhe dá na veneta.

Veio com uma recomendação explícita:

– Vai escrever sobre 68, não esqueça o álbum branco dos Beatles. É histórico. A música escolhida é “While My Guitar Gently Weeps”. Alguma dúvida, campeão? Então, põe pra tocar…

*(A foto de outra amiga sumida, a Camila Bevilacqua, eu já usei no Blog, mas dou hoje um repeteco consciente: é um sensível retrato do que os jovens sentiam e queriam naqueles idos – e, tomara, ainda hoje queiram.)
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