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Entre sonhos e memórias

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Foto: Blog RCM/Arquivo Pessoal

Faz alguns muitos e tantos anos alinhavei uma, digamos, singela crônica para o jornal em que trabalhava.

Chamou-se:

Porque imagino junho como sinônimo de liberdade.

Quando isso, Meu Deus?

* junho de 2003, creio.

Foi das últimas colunas ‘Caro Leitor’ que fiz – até como forma de encaminhar minha despedida, hoje eu entendo assim – para a Gazetinha, onde labutei por quase 30 anos.

Reproduzi o relato em duas outras publicações que são, digamos, correlatas.

Achei, carinhosamente, pertinente e cabível.

Eram – e ainda são – coletâneas das colunas que escrevi a partir dos anos 90.

O e-book Das Coisas Simples. Sensatas e Sinceras (Amazon/2013) e o correspondente impresso, o livro Pela Janela do Mundo (ou o Mundo pela Janela) (Independente/2019).

Curioso.

Sempre penso no texto quando entra o mês de junho em nossas vidas.

Uma tentação irrefreável em repeti-lo.

É bem verdade que, além dos livros supracitados, já o estampei aqui, no Blog, algumas vezes e já o citei – como hoje faço – em outras tantas. Não sei se é um das minhas crônicas preferidas. Talvez seja…

Gosto muito de tê-la escrito.

A propósito, perdoem-me a breve digressão que segue:

Me é impossível não citar o dono de um dos mais notáveis textos do jornalismo brasileiro, mestre Armando Nogueira (1927/2010), que fazia a seguinte consideração sobre a arte e ofício da profissão: “Jornalista não gosta de escrever. Gosta de ter escrito”.

Pois então.

Gosto de ter escrito aqueles parágrafos de lembranças naquele exato momento, início do novo século. Prospectei coisas da minha infância no Colégio Marista Nossa Senhora da Glória, revivi o conceito de liberdade que tínhamos nos meus idílicos vinte e poucos anos (“Liberdade vai bem além de uma calça velha, azul e desbotada”), relembrei “a tarde outonal” em que cheguei à Velha Redação e, lá para o final de tais considerações, ainda pude reverenciar a memória do vô Carlito.

Vô Carlito…

Citei o conselho que o senhor de chapéu Ramenzoni me deu em tom de desabafo, sem imaginar que tal frase, embalada em vinhos e acordes de cançonetas napolitanas, seriam mote de vida para o esforçado escrevinhador em que me transformei.

“Tchinim, o maior de todos os pecados é o arrependimento”.

(Quando pequeno, assim me apelidaram: Tchinim!)

Querer bem que eu queria escrever outro texto como aquele…

Até para entender (ou tentar desvendar) o porquê o vô Carlito me disse o que disse e do jeito que disse quando disse.

Eu era garoto, garoto de tudo…

(Por vezes, as crianças se tornam invisíveis às imprecações dos adultos.)

Enfim.

Olho o calendário, como sempre faço antes do meu cotidiano blogar.

Só então me dou conta da data:

13 de junho, dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro.

(Minha mãe, Dona Yolanda, era devota.)

Todas as atenções, porém, se voltam para a estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026.

Olaiá…

Não sei o que faço.

Se é que há algo a ser feito.

Penso e repenso.

Minha intuição diz que…

Melhor rezar para o santo.

Não, não vou pedir que gols brazucas despenquem dos céus . Sei que a especialidade de Antônio de Pádua que nasceu Fernando em Lisboa é bem outra.

Melhor deixar a bola rolar…

E a vida…

Ah, a vida… Jogo bonito!

Bem a vida, doce e mágica bênção…

Melhor deixar que a vida amorosamente, e de mansinho, nos leve entre sonhos e memórias.

TRILHA SONORA

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