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Recordações de um repórter 4 (final)

"Fui chamado pelos donos da casa para demitir Plínio Marcos, e acabei saindo com ele, evidentemente. É claro que a empresa para qual eu tinha trabalhado antes – na “4 Rodas” por quatro anos e depois na “Veja” por oito anos – sabia perfeitamente qual seria minha reação. Conhecia-me suficientemente para saber qual seria minha reação. Na verdade, se tratou de uma manobra que a empresa urdiu para me forçar a sair, acreditando com isso salvar as aparências. Quer dizer, eu saía porque queria sair. Na verdade, estavam cedendo às pressões que vinham de cima, porque a revista estava censurada e a minha presença lá era digamos assim, uma garantia de que a censura continuaria. Quando saí, a censura saiu. Então, eles prefiriram a revista sem censura. A redação portou-se mal, evidentemente."

Éramos mesmo carudos, eu e o amigo Naconecy. Lá estávamos a questionar a saída do jornalista Mino Carta da direção da revista Veja e do grupo Abril, no limiar do ano santo de 1978.

Com a descrição dessa corajosa atitude começa a segunda parte da entrevista, postada hoje no ícone REPORTAGENS, sob o título "Você já leu este homem" (Parte 2)

Acho importante ‘recuperar’ a entrevista de Mino.

Traz um teor histórico que, aliás, gosto de salientar aos estudantes na aula de História do Jornalismo. Diria sem medo de exagerar que a trajetória do jornalismo brasileiro, nos últimos 60 anos, tem as digitais da família Carta.

Outro ponto importante: a solidariedade e a firmeza de propósito do jornalista mesmo em tempos obscuros. Plínio Marcos era um cronista contundente, que não tinha mais espaço nos jornalões. Suas peças eram censuradas justamente em função do tom ácido de suas críticas à realidade brasileira que os militares preferiam esconder em nome do tal ‘milagre econômico’.

Mino o acolheu na revista Veja — daí que demití-lo era provocar a reação inevitável do "italiano", como os Civitas, chamavam Mino nas conversas com o então ministro da Justiça, Armando Falcão.

Foi mesmo um momento relevante. Mais sobre este episódio ainda hoje polêmico, você pode ler no blog do jornalista (indicado entre os meus preferidos no ícone Uns e Outros) e no livro Castelo de Âmbar, lançado em 2002, de autoria do próprio Mino.

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