Alceu Valença/Foto: Leo Aversa/Divulgação
Penso que a nossa geração – a minha e a dele, pois somos contemporâneos; ele, de julho de 1946; eu, de dezembro de 1950…
Como dizia, a nossa geração nunca o entendeu plenamente.
Em outras palavras, não lhe demos a dimensão e o valor merecidos.
Por que lhes falo isso?
Explico:
O tanto de canções de discos antigos de Alceu Valença que ouço onde quer que eu vá é absurdo.
“Anunciação”, “La Belle de Jour”, “Morena Tropicana”, “Como Dois Animais”, “Girassol”, entre outras, são tocadas à exaustão nos bares, restaurantes e botecos da vida, em shows nas praças das mais distantes e variadas cidades, no repertório da rapaziada que toca e canta e encanta nas ruas – enfim, um enorme e merecido reconhecimento à obra e arte deste pernambucano, poeta e imprevisível, que está prestes a completar 80 anos.
Alceu dispor – diria ele a divertir-se da minha admiração.
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Sempre lhe admirei, posso dizer.
Digo mais: eu o considero um dos símbolos da geração pós-tropicalista, a denominada “geração de briga”, de tantos e imensuráveis talentos. A saber: Djavan (77 anos), João Bosco (Alceu faz 80 anos em julho), Ivan Lins (faz 81 anos em junho), Belchior (1946/2017), Geraldinho Azevedo (81 anos), Zé Ramalho (76 anos), Gonzaguinha (1945/1991), Luiz Melodia (1951/2017), entre outros bem-vindos nomes.
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Vejam se não tenho razão.
Para celebrar a efeméride, o pernambucano está em turnê pelo Brasil, desde 14 de março, com o show 80 Girassóis. Neste fim de semana que se aproxima, estará em Curitiba, dia 25. Agora em abril o documentário sobre o artista, Vivo 76, de Lino Ferreira, está no festival É Tudo Verdade e ainda há um inédito álbum de músicas autorais a ser lançado em breve. Também em preparação, para estreia em cena no Rio de Janeiro (RJ) em 1 julho, o espetáculo de teatro Anunciação – O musical de Alceu Valença.
Não lhes disse, o homem está em todas. Muito merecido.
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TRILHA SONORA
Uma preciosidade
Alceu Valença e o grupo Trem de Catende, que contava com parte dos integrantes da banda Ave Sangria. Vídeo produzido para o Festival Abertura (1975), realizado pela TV Globo, onde a música foi contemplada na categoria “Pesquisa”. Alceu Valença (voz e violão); Zé Ramalho (voz e viola); Lula Côrtes (tricórdio); Zé da Flauta (flauta); Ivinho (guitarra); Paulo Raphael (baixo); Israel Semente Proibida (bateria); Agricinho Noia (percussão); *Percussionista do lado direito não identificado.
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