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Arrasca_pênalti e a quinta série

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Torcedores criam imagens de troféu “arrasca_pênalti”/Reprodução X

Eu estava dormindo e me acordaram

E me encontrei, assim, num mundo estranho e louco…

E quando começava a compreendê-lo

Um pouco,

Já eram horas de dormir de novo!

Ah, os poemas ligeiros de Mario Quintana sempre me inspiram.

Agradeço ao Chagas que me enviou as linhas acima, com o insólito questionamento:

“A quinta série tomou conta da crônica esportiva, ou a impressão é só minha?”

O prezado leitor – inserido num dos grupos de WhatsApp que participo, não o conheço pessoalmente – pergunta minha opinião sobre o quiproquó que vazou das redes sociais para a bancada dos destemperados debates esportivos e que denomina a simulação de penalidades máximas de uma partida de futebol como “arrasca_pênalti”…

Pode isso, Arnaldo?

Ele me envia um videozinho com jornalistas e influenciadores, sabida e declaradamente torcedores do Flamengo, passando o recibo que sentiram o golpe e com falas indignadas com o que chamam de campanha de estigmatização (ou vilanização) do camisa 10 da Gávea como voluntarioso “cavador de pênaltis e piscineiro” – e só.

Esquecem o craque de bola que é…

“Isso é jornalismo ou bate-boca de botequim? Muito estranho, muito louco…”

Sinceramente, meu caro Chagas, vou ficar na minha.

Cada qual com seu cada qual.

Digo-lhe apenas que não lembro se na quinta série (no meu tempo era optativo fazer ou não o quinto ano antes de seguir para o ginasial; nós o chamávamos de ‘curso de admissão’) éramos assim, como direi?, tão implacáveis em nossas opiniões e conceitos – se é que os tínhamos.

O que bem me recordo é levarmos a vida “na flauta” (outra expressão da época).

Tínhamos um humor infantilizado, boboca mesmo. Éramos ruidosos. Useiros e vezeiros (mais uma gíria daqueles anos) em apelidos e piadas de gosto duvidoso; se possível, de duplo sentido e sem qualquer noção.

Gostávamos mesmo da bagunça, de ludibriar o professor com artimanhas, mas não proclamávamos o rancor e o ódio.

Também não nos atribuíamos a nobre função de juiz e totem da verdade, da moral e da justiça.

Não éramos melhores, nem piores. Pelas lentes do hoje, diria que éramos imaturos, naturalmente imaturos – como não sê-lo com 9 ou 10 anos de idade. Algo inconsequentes, um tanto divertidos e adorávamos futebol.

Dou-lhe outro “sinceramente”:

Tomara mesmo o espírito de “quinta série” invadisse os estádios e as mesas redondas sobre futebol (que andam por demais lacradoras e odientas). De resto, seria bom vê-lo se espalhar também por esse mundão de Meu Deus, “estranho e louco”, com a leveza definitiva de um poema de Quintana.

Faço, porém, um único senão ao Chagas e aos meus amáveis cinco ou seis leitores: quando a gente imagina entender as Coisas do Mundo, aí sim, a gente perde o rumo, o prumo e o sono de vez.

Mas, cabe o lembrete:

Sigamos na fé que hoje, 23 de abril, é dia de se reverenciar Jorge, o Santo Guerreiro, defensor das causas justas e necessárias. Salve Jorge!

TRILHA SONORA

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