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Ufa!

Jogadores celebram gol do Gabriel Martinelli/Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Não considero propriamente uma surpresa, direi apenas que causou-me (in)certo espanto a repercussão do questionamento que fiz no título do post/crônica de ontem – Será que ainda somos o País do Futebol?

– Não!

– Não, e faz tempo, Rudi.

– Infelizmente, não.

Foram algumas das respostas que recebi mesmo antes de começar a partida contra o Japão.

Eu, que posava até então de tranquilo, comecei a desconfiar que, como gostam de dizer craques, não-craques e treineiros, “não há jogo fácil em Copa do Mundo”. Ou melhor dizendo, não há jogo previamente resolvido antes de a bola rolar.

O amigo Odair foi o primeiro a dar o contexto que me escapou.

Lembrou que não temos mais craques como Pelé, Tostão, Rivelino e Gerson, ícones da seleção de 70, tida por muitos como a melhor seleção brasileira de todos os tempos.

(Eu categoricamente prefiro a de 1958 na comparação histórica jogador por jogador. Não preciso dizer mais digo que aquele timaço que nos deu o primeiro título mundial na Suécia reunia os três melhores jogadores que vi (humildemente) em campo: Pelé, Garrincha e Didi. Sou das antigas, meus caros e raros e preclaros.)

Uma turminha de amigos-leitores mais jovem (mas, não tanto, na faixa dos 40 e muitos e 50 e poucos) preferiu recordar Doutor Sócrates, Zico, Cerezzo, Paulo Roberto Falcão e a idílica seleção de 82, comandada por mestre Telê Santana.

Um deles em tom doutoral sacou essa:

“O futebol globalizado é um estupendo negócio sem fronteiras.”

Bola rolando…

E eu, falastrão que sou e que anunciei que a vitória viria com alguma facilidade, passei a temer pelo meu prognóstico, pelo meu ‘‘pachequismo’’ fora de hora.

Estranhei.

Não sou de torcer pela seleção.

Vou dizer.

Imagino-me indiferente ao dia a dia do time da CBF, e não é de hoje. Falo que é uma seleção de brasileiros que jogam fora do Brasil. Me aborrece pra valer um tantão de coisas erradas e suspeitas que acontecem na entidade. Não sou admirador da maioria dos jogadores. Nem me comove o Carleto cantando o hino nacional…

Enfim, coisas da idade… Talvez.

Ah, a Copa do Mundo e seus desígnios!

Não sei exatamente o que se passou depois do gol do Japão. Mesmo pregado na frente da TV e os lances todos acontecendo diante dos meus olhos, penso que só depois do gol salvador do artilheiro improvável Martinelli voltei ao normal e à consciência de que a vida e o futebol são mesmo uma grande e indescritível aventura.

A bem da verdade, quem me trouxe essa imprescritível verdade foi a chuva de “Ufa!” que recebi no zap assim que o juiz apitou o fim da partida.

Digamos que estávamos todos com o coração nas mãos.

“A pátria em chuteiras”, como bem dizia Nelson Rodrigues.

TRILHA SONORA

“… e hoje em dia
rola a bola, é sola, esfola, cola, é pau a pau”

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