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Audálio Dantas

Participei ontem da banca de avaliação do trabalho de conclusão do curso de jornalismo, “Audálio Dantas – Cidadão Brasileiro”, de autoria dos estudantes Aline Schons, Allan Simon, Caroline Garcia, Francine Antoszczyszyn e Lívia Sousa, no auditório Sigma da Universidade Metodista de São Paulo.

Reuni em texto minhas considerações que transcrevo a seguir:

Meus Caros,

Como notório acadêmico que nunca fui, começo citando o pensador contemporâneo Michel Teló: o livro de vocês é uma delícia…

Com texto objetivo, privilegiando a simplicidade e a clareza.

Com projeto gráfico seguro, sem frescuras e arabescos que também privilegia o perfeito entendimento das histórias que reuniram e contaram.

Histórias, e que histórias!

Assim vocês ‘matam’ de saudades este velho repórter vira-lata que um dia eu fui – e, desconfio, sempre serei.

Primeiro porque o ponto de partida de vocês é o trajeto profissional e de vida de um dos mais importantes repórteres do jornalismo contemporâneo. Audálio Dantas.

Jornalista e cidadão, partícipe de notáveis momentos da nossa História.

Seja como profissional que passou pelos principais noticiosos brasileiros…

Seja descobrindo – e revelando para o mundo – os originais de Carolina Maria de Jesus…

Seja como exemplo de coragem e determinação no trágico episódio da morte de Vladimir Herzog…

Seja pela eficaz participação na política brasileira no período da redemocratização no País…

Seja, pelo conjunto da obra, um grande humanista.

Parabéns pela escolha.

Ou melhor, parabéns pelas escolhas.

Vale para a segura orientação da professora Veronica Aravena na fase do pré-projeto e do memorial.

E, sobretudo e principalmente, pela completa orientação do livrorreportagem a cargo da professora. Margarete.

Além do visível talento de vocês para a profissão – e aleluia – para a reportagem (o que é algo raro entre os jovens), é também visível a participação da grande ‘mãezona’ que a Margarete é para os alunos.

Depois porque o livro me fez lembrar velhas momentos da história do jornalismo e da minha própria história.

Lembrei-me dos questionamentos, aos tempos de estudante, sobre Nabantino Ramos ser ou não o dono das Folhas, nos idos de 50… Dos velhos repórteres que acompanhavam a rodagem da edição, boêmios e sonhadores… Do grande Márcio Moreira Alves e Correio da Manhã, o jornal assassinado pela ditadura… Da revista O Cruzeiro – único senão do livro, vocês esqueceram-se de citar O Amigo da Onça e o repórter dos repórteres David Nasser… Que um dia entrevistei Manézinho Araújo… Da Revista Quatro Rodas e de seu primeiro editor, Mino Carta, que nunca dirigiu um veículo… Da figura do coppy-desk que desapareceu das redações…

Um capítulo à parte são as lembranças da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, do Sérgio Gomes, do Pola Galé e dos estudantes e jornalistas presos no porão do DOI-CODI com Vlado…

Vladimir Herzog, professor de telejornalismo na USP quando eu passei por lá sem deixar saudades

Saudades que estudantes como vocês certamente deixaram por aqui…

Parabéns e bem-vindos à profissão…

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