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Sobre sonhar o sonho impossível…

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“Eu tenho um sonho”.

Começo o texto de hoje por onde, ontem, terminei

A frase histórica de Martin Luther King assassinado em 4 de abril de 1968 por defender o direito dos negros americanos. Por defender a paz e a igualdade entre os homens.

Ela continua atualíssima.

Foi uma frase que marcou profundamente a minha geração, os que vivenciaram, ainda jovens, o atribulado pós-guerra.

Viver e sonhar era ato indivisível para os garotos que amavam os Beatles e os Rolling Stones – e mesmo para aqueles que, como eu, preferissem Benjor e os seus pares da pujante MPB.

II.

Dou-lhes alguns exemplos. Musicais, óbvio.

John Lennon, quando quis anunciar o fim dos Beatles, declarou:

“O sonho acabou”.

No embalo do gênio, o nosso bom-baiano Gilberto Gil, de volta do exílio, deu complemento à frase:

“O sonho acabou. Quem não dormiu no slepping bag nem sequer sonhou”.

III.

Foi por esta época que Chico Buarque traduziu a canção-título do musical “O Homem de La Mancha” que, nos palcos do Brasil, teve Paulo Autran como protagonista.

O primeiro verso da canção espelhava o espírito dos primórdios dos anos 70:

“Sonhar mais um sonho impossível”.

IV.

Também por esses idos que Raulzito musicou, em “Prelúdio”, o aforismo:

“Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só. Mas, sonho que se sonha junto é realidade”.

À época, viralizou, como se diz hoje em dia.

Era o mote da juventude ‘paz e amor’, dos viventes e sobreviventes de Woodstock.

V.

Ao sul do Equador, o cearense Belchior fez uma provocação bastante válida em “Como Nossos Pais”:

“Viver é melhor que sonhar”.

VI.

Exatos 50 anos depois da trágica morte de Luther King me são doridas as lembranças.

Sempre acreditei no sonho sonhado do ‘Brasil de todos os brasileiros’.

Sempre acreditei na utopia da palavra para redimir e transformar o mundo.

(É por isso que escrevo. Ainda)

Mas, sinto que estamos ainda mais divididos como sociedade, intolerantes enquanto cidadãos, mesquinhos no que diz respeito aos propósitos de fraternidade.

Não mais nos entendemos.

VII.

Converso sobre a crônica com a amiga que, mesmo hoje, pede para que eu afaste o desalento e a descrença.

– Fica assim não, bobo. Lembra aqueles versos do Clube da Esquina: ‘os sonhos não envelhecem…’

*(foto: jô rabelo)

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