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O amor. Na linha do horizonte… (2)

V.

Na linha do horizonte, enfatizava o mestre.

Pois o amor – dizia – não se anuncia com o soar de trombetas.

Com o rufar de tambores, tiros de canhão.

Vem como folhas ao vento a ziguezaguear, sutil, sobre tudo e sobre nada.

“Há que se reconhecê-lo”, alertava.

E ousava a compará-lo com o sol a se esquivar por trás das montanhas.

“Tem um tempo certo de captá-lo em todas nuances de um fim de tarde.”

VI.

Escrevo-lhes essas lembranças por motivo tão pessoal quanto a própria existência deste blog.

VII.

Reencontro, dia desses, o amigo Escova a falar em uma roda de novos amigos.

Ele é um dos nossos, sobrevivente da velha redação de piso assoalhado e grandes janelões para a rua Bom Pastor.

Eu o vejo repetir o discurso do Nasci.

Saboreia cada palavra que diz, cada sílaba.

VIII.

À época, Escova, como os amigos do blog bem sabem por tantas histórias que aqui contei, era conhecido como Dom Juan das Quebradas dos Mundaréus.

Sempre teve histórias incríveis a nos contar.

Por vezes, exagerava.

Mas, tinham lá seu fundo de verdade.

IX.

Agora, ele as repetia diante do olhar encantado da jovem plateia.

Dera àqueles causos um tom mais poético, mais generoso

Pareceu-me, por instantes, ver ali um Nasci redivivo.

Bateu-me uma emoção inesperada, com gosto de saudade.

X.

Não foi um momento triste. Ao contrário.

Teve um gosto de graça de ter vivido o que ali se viveu.

Tento agora (ainda que em modesto relato) compartilhar com vocês essa emoção.

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