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A moça que se perdeu no mar

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Foto: GB Mar/Divulgação

Crônica da vida real.

Dou-lhes notícias da moça que se perdeu no mar…

A teia invisível entre o desaparecer e o voltar.

Conhecem a história?

Saiu ontem nos portais.

Tento lhes fazer um resumo do que sei.

Ela e o companheiro toparam convite para evento em iate no mar de Ilhabela.

Foi na manhã de domingo próximo passado (jeito antigo, como eu, para dizer trasantontem, ou seja – três dias atrás)…

Pareceu a ambos, creio, um bom programa para um vasto domingão assim_assim, com pouco sol e horinhas vadias…

Alguém na embarcação disponibilizou um jet-ski para o casal dar uns bordejos pelos arredores…

Eles toparam também…

É o que se sabe…

(e ha reticências!)

Corto para outro dia, outro contexto…

Manhã de terça-feira, quase dois dias depois, pai e filho saem para pescar camarão…

Vão que vão, na toada de sempre, a revirar a barcola aqui e ali em águas mais que conhecidas – mas, sem qualquer resultado…

Um olha para o outro, o outro olha para o um, ar contrariado, decidem ir além, buscar o pescado em águas mais além…

Verdade.

São corajosos e obstinados.

Quem sabe, um aviso de Deus…

(e dá-lhes reticências, o que as palavras não dizem.)

Foi em alto-mar, na região próxima à Ilha de Búzios, que pai e filho se espantaram com o que viram…

Olhos arregalados!

Eitaaaa!

Há uma pessoa na água…

Uma pessoa à deriva. Sozinha. Não tem barco. Não tem nada por perto. Só a imensidão do mar e a infinita linha do tênue do horizonte…

Levam o barco devagar como manda a sabedoria dos bons navegantes.

Fez a aproximação…

E descobre a moça. A moça cansada, cansada que só ver. Quase sem forças. O colete salva-vidas a mantém na superfície das águas. Não se sabe como. Fraquinha, fraquinha… Nem sequer consegue se segurar à borda do barco…

Bons e destemidos homens, os pescadores a recolhem…

No barco, dão-lhe água e a enrolam numa coberta para esquentar o corpo debilitado e trêmulo…

Será que resiste?

Há de resistir.

Bombeiros acionados, a moça é encaminhada ao Hospital mais próximo e, segundo boletim médico, chegou com hipotermia, mas consciente. Continua em observação, é estável o quadro clínico…

Que história, amigos. Que história!

Imaginem a cena.

42 horas em mar aberto, à deriva…

Assombros e aleamentos.

Haverá solidão mais solitária?

E aí?

Quem aí acredita em milagre? em Destino? em predestinação?

“Segue teu rumo, aceites o que vier…” (Hemingway, em O Velho e o Mar)

Deus é mais.

PERSONAGENS

Bruna Damaris Sant’anna da Silva, a moça.

Dheorge Pereira Bernardino, o companheiro ainda desaparecido.

Alex Quintino, o pescador

Allan de Oliveira Quintino dos Santos, o filho do pescador

(Em algumas reportagens, leio que a cachorrinha Adelaide acompanhou os pescadores na jornada. Mas, além de alguns latidos, não teve participação maior no resgate.)

TRILHA SONORA

1 Response
  • Analy Cristofani
    27, maio, 2026

    Eu paro pra pensar é que ouvido – ou coração – tem os pescadores, atentos ao silêncio do mar? Quanto escutam dos avisos da vida? É sensibilidade ou fé no que virá? É o companheiro dela a guiar os homens ou uma conexão ainda maior?
    A lição da história fica na imagem: somos uma gotinha pequena num oceano desconhecido…

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