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Virgínia na Copa. Futebol e audiência

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Foto: Instagram/Virgínia Fonseca

Comigo pau é pau, pedra é pedra.

Se sei, digo que sei.

Se não sei, digo que não sei”.

Uso o bordão do divertido personagem Armando Volta, da Escolinha do Professor Raimundo, para escapar à discussão de amigos – um bom número deles, jornalistas, diplomados jornalistas, diga-se – sobre a participação da influencer (é assim que se escreve?) Virgínia como repórter especial durante a Copa do Mundo que vem aí.

O balcão da velha padaria sempre foi palco das nossas transcendências filosóficas e existenciais. Mas, creio, nunca imaginamos chegar tão longe.

Até cá, às bordas do balcão antigo, surge a polêmica.

Que, digo logo, não me pertence.

Há quem veja, na participação da moça, um absurdo.

O fim do jornalismo esportivo.

Uma desfeita para com a categoria profissional.

O telespectador merece mais.

Há também aquele que acha tudo muito natural. Dentro dos conformes do Novo Normal. Sinais do tempo…

Dizem que a moça tem em torno de 60 milhões de seguidores.

Que hoje vale mais a audiência do que propriamente o conteúdo.

Que o jornalismo esportivo, faz já um bom tempinho, deixou de ser jornalismo propriamente dito para se pendurar na aba do entretenimento, especialmente nas plataformas audiovisuais (especialmente a TV e o streaming)…

Ou seja, os dois lados esgrimem com argumentos… Argumentos, digamos, justificáveis.

Fico na minha.

Não conheço a moça.

Também não a desconheço de tudo.

Sei que viveu um breve e midiático romance com o Vinícius Jr, jogador do Real Madrid e da seleção.

Que sonha ser ‘a Musa da Copa’. (Uia!)

Soube mais: no passado ela deu depoimento na CPI das Bets no Congresso e, diante de apatetados e tietes parlamentares, parece que se saiu melhor do que a encomenda. O que gerou avalanche de memes nas redes sociais.

Que, registre-se, para ela, não deixou de ser interessante.

Enfim…

Quando pediram minha opinião, acionei o ensaboado personagem, criado por Chico Anysio, também conhecido como Sambarilove (personificado pelo humorista David Ribeiro):

E, como não sei, disse-lhes claramente que não sei.

Mesmo assim, tentei encerrar o assunto, com ares professorais:

“Sempre haverá quem goste. Que diferença faz? Tá tudo muito parecido num blablablá sem fim. Se a seleção for campeã, todos comemoram. Se não, não… A moça não entra em campo (Desconfio que nem o Neymar vai pro jogo), Além do que, senhores, quem não quiser vê-la e ouví-la em cena basta mudar para outra transmissão. Hoje há mais opções… SBT com Galvão Bueno e Tiago Leifert, a TV Cazé que é o reduto da meninada… Sinceramente, não sei… Aliás, nem sei porque estamos falando no assunto”.

Não gostei do que ouvi como resposta (na verdade, uma provocação) mas faço questão de registrar:

— Para você escrever no Blog amanhã. Ou prefere falar da aventura calamitosa dos três patetas nos Estados Unidos?

Botei açúcar no café. Porque de amarga já chega a vida…

TRILHA SONORA

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