Foto: Divulgação
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Dizem que Caetano Veloso fez a canção “Reconvexo” como resposta ao jornalista Paulo Francis (1930/1997) com quem polemizava sobre cultura e contracultura no Brasil empoeirado e pós-ditadura em fins dos anos 80.
O tropicalista_mor nunca se furtou às celeumas.
Francis morava nos Estados Unidos, foi um dos fundadores de O Pasquim – e tinha fama de bom de bate-boca.
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Não sei vocês, mas sempre admirei a destreza de Caetano com as palavras e a poesia musicada, contemporânea, moldura da rediviva sociedade até então. Tempo dos debates que a TV consagrou.
Falo de minha admiração por Caetano para mais lhes dizer: eu e os meus, todos, somos forjados e movidos a versos e melodias.
O que não faltou à minha geração foi uma vigorosa trilha sonora a sustentar nossos sonhos, nossos desvãos sentimentais.
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“Reconvexo” na voz de Maria Bethânia está entre as minhas preferidas.
Tem um texto maravilhosamente bem engendrado.
Caetano joga magicamente com as palavras que criou a partir do neologismo do título – reconvexo.
Faz alusão ao Recôncavo Baiano, de onde vem, é originário. Onde bebeu da água cristalina da coisas simples, sensatas e sinceras.
Uma elegia simbólica ao interior da Bahia – e daí para o mundão de Meu Deus.
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O “convexo” exprime a parte externa, o lado de fora.
Reconvexo propoõe o olhar de fora para dentro para enxergar o que não se vê apenas superficialmente.
Há que ser do mundo. Há que pertencer a aldeia.
“Quem não é recôncavo / e não pode ser reconvexo”.
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A música é repleta de citações…
Fala da chuva que lança areia do Saara sobre os automóveis de Roma…
Da novena de Dona Canô (mãe de Caetano e Bethânia)…
Da representação carnavalesca do mendigo Joãozinho Beija-Flor…
Da elegância sutil de Bobo (craque campeão pelo Bahia em 1988)…
E outras mais…
.Acho genial
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Vamos ouví-la.
TRILHA SONORA


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